terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Infância


Caríssimos Irmãos:

O Editor deste espaço esteve e está dodói!
Ou seja, estou convalecendo de um probleminha na coluna vertebral, que me impede de ficar sentado longos períodos. Por isso a descontinuidade das postagens.
Além das desculpas que peço, aproveito para postar sobre um assunto muito caro á todos nós, inclusive á nossos dirigentes, que é a infância.
Vou inserir uma poesia recebida mediunicamente por uma de nossas trabalhadoras da casa.
Peço atenção á sensibilidade com que é tratada a questão da inocência: é o educador que se torna mais compreensivo!
Fiquemos em paz.

                 INFÂNCIA

Ninguém sabe o que trará
o espírito que encarna na criança.
Ignora-se o que já foi ou será,
que seja bom e dócil tem-se esperança.

É a oportunidade de nova existência,
onde o aprendizado é mais acessível,
pois a doce aparência de inocência
torna o educador mais compreensivo.

Os reflexos recebidos do ambiente,
no aprimoramento muito bem refletirão,
sobretudo os bons exemplos frequentes,
dos responsáveis por sua educação.

Esta missão têm os pais como dever,
encargos pelos quais terão que responder.
E a cobrança virá, isto é certo,
pois é a lei de Deus regendo o universo!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Campanha Natal Com Jesus - IECIM Peruíbe

  
Caríssimos Irmãos: Que a paz esteja com todos!
Por conta da campanha Natal com Jesus, que teve seu cadastramento efetuado semanas atrás, o IECIM Peruíbe estará efetuando, no próximo domingo, dia 29/11, a entrega das cestas básicas as famílias previamente cadastradas.
Será um domingo de intensa movimentação e trabalho, pois os tratamentos de alívio dos doentes ocorrerão paralelamente á entrega das cestas.
Por isso, o IECIM pede a colaboração dos trabalhadores das casas espíritas de Peruíbe, que desejarem participar, que procurem o Sr. Henrique, na sede da entidade, na Av. Rio Branco, nº 88.
O início dos trabalhos está previsto para as 8:30.
Quanto aos assistidos, devem levar suas senhas e documentos de identificação, para facilitar a entrega.
Serão 1000 cestas básicas que muito minorarão o problema da fome em nossa região, e que certamente trarão mais felicidade ás famílias atendidas, o que configurará realmente um natal com Jesus, á quem todos agradecemos sempre a oportunidade da prática da caridade.
Parabéns ao IECIM, e que tenham um bom trabalho.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Buscai e Achareis (2)

Queridos Irmãos:

“Não queirais entesourar para vós tesouros na Terra, onde a ferrugem e a traça os consomem, e onde os ladrões os desenterram e roubam. Mas entesourai para vós tesouros no céu, onde não os consomem a ferrugem nem a traça, e onde os ladrões não o desenterram nem roubam. Porque onde está o tesouro, aí está também o teu coração.
Portanto vos digo: Não andeis cuidadosos da vossa vida, que comereis, nem para o vosso corpo, que vestireis. Não é mais a alma do que a comida, e o corpo mais do que o vestido? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem fazem provimentos nos celeiros; e, contudo, vosso Pai celestial as sustenta. Porventura não sois muito mais do que elas? E qual de vós, discorrendo, pode acrescentar um côvado à sua estatura? E por que andais vós solícitos pelo vestido? Considerai como crescem os lírios do campo; eles não trabalham nem fiam; digo-vos mais, que nem Salomão, em toda a sua glória, se cobriu jamais como um destes. Pois se ao feno do campo, que hoje é e amanhã é lançado no forno, Deus veste assim, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Não vos aflijais, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos cobriremos? Porque os gentios é que se cansam por estas coisas. Porquanto vosso Pai sabe que tendes necessidade de todas elas. Buscai primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas se vos acrescentarão. E assim não andeis inquietos pelo dia de amanhã. Porque o dia de amanhã a si mesmo trará seu cuidado; ao dia basta a sua própria aflição.” (Mateus, V:19-21, 25-34).


A primeira parte desta passagem parece consagrar o sentido da inação. E assim foi interpretada ao longo dos séculos, por aqueles que se isolavam do mundo em contemplação ou jejum e oração permanentes.

Também foi usada como argumento de que de nada precisamos, a não ser orar e se consagrar ao Pai: as coisas materiais são desimportantes.
Entretanto, as coisas materiais têm sua importância, e necessitamos delas para a manutenção da vida: “vosso Pai sabe que tendes necessidade de todas elas.”
O que o Cristo advertiu não foi que não as buscássemos, mas sim, que não tornássemos esta busca uma obsessão.
Mais uma vez seu ensinamento foi para que déssemos o devido valor ás coisas materiais, valor este subordinado ao valor das coisas espirituais.
“Buscai primeiramente o Reino de Deus e sua justiça, e todas estas coisas se vos acrescentarão.”
Qual é a justiça que devemos procurar?
A justiça que os espíritos nos ensinam existir na Lei de justiça, amor e caridade.
Precisamos aprender á distinguir o essencial e o supérfluo.
Precisamos olhar para o lado e ver as necessidades de nossos irmãos.
Se não podemos, como Francisco de Assis, doar a única túnica que possuímos ao nosso irmão com frio, que saibamos pelo menos doar o supérfluo, aquilo de que não temos necessidade real.

E mais que isso, temos que aprender á não sofrer em demasia com as questões da administração de nosso cotidiano.
A cada dia basta seu mal, e o excesso de sofrimento, o quê resolve?
Se a angústia, o desespero, a depressão, etc., resolvessem os problemas, então os da maioria das pessoas estariam automaticamente resolvidos, haja vista que esta é a atitude da maioria da humanidade.

“Não vos inquieteis pelo ouro”, nos diz o Mestre.
“Confiai no Pai”, é sua mensagem.
Buscai as soluções para os problemas, mas convicto de que jamais o Pai lhe abandonou, e somente passará por provas de que tens merecimento.
Provas que serão atenuadas com a resignação e a aceitação das mesmas, e não com a rebeldia e a aflição.
Creias na justiça divina, infalível, por sinal, e peças á Deus capacidade de carregar vossa cruz, e o socorro já está a caminho, por meios que não dominamos e na maioria das vezes nem compreendemos.

Que Deus nos fortaleça. Assim Seja!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Últimas Palestras do Mês Espírita de Itanhaém

Caríssimos Irmãos:
Eis o registro das palestras da última semana do Mês Espírita de Itanhaém.
Atentem para o fato de que a palestra de segunda-feira, hoje, não constava da programação original.
Esperamos o comparecimento de todos.
E parabéns aos realizadores.
Fiquemos em paz.

Dia 23 (Segunda) – 20 h – Seara Espírita Reluz –
Rua Padre Olavo Pesotti, nº 158, Suarão
Sávio Palazzo – Tema: Slide "OBREIROS DA VIDA ETERNA”


Dia 26 (Quinta) – 15 h – Lar Espírita Kardecista Gaivota –
Rua Guaporé, 397, Bal. Gaivota
José da Conceição de Abreu – Tema: “Espíritismo e Educação”

Dia 27 (Sexta) – 20 h – Centro Espírita André Luiz –
Rua Julio Pires, nº 275, Vila São Paulo
Eulália Bueno – Tema: “A Felicidade"

domingo, 22 de novembro de 2009

Buscai e Achareis (1)


"Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque todo o que pede, recebe; e, o que busca, acha; e a quem bate, abrir-se-á." (Mateus, VII:7-8)


Queridos Irmãos:

As afirmações de Jesus não podem ser tomadas como desprovidas de sentido.

Se Ele mandou-nos buscar, que encontraríamos, o que dizer acerca do fato de que há pessoas que se entregam á oração, vivem uma vida de contemplação, e não conseguem retorno ao que pedem?

Oras, no mínimo, que não sabem pedir!

Percebamos todos que há uma fé ativa na passagem bíblica: pedimos, buscamos, batemos á porta, ou seja, há ação, e não mera contemplação.

É necessário que façamos a nossa parte, para podermos ser auxiliados pelos céus.

Os espíritos não deixaram dúvidas com relação á isto, e no Livro dos Espíritos, nas questões 657 á 663, especialmente nesta última, nos esclarecem sobre todos os aspectos da prece, a vida contemplativa, o caráter geral da prece, a força que esta nos proporciona, a oração pelos outros, etc.

Vamos reproduzir aqui a pergunta e a resposta de número 663, para ilustrar nossos argumentos, e pouco mais será necessário dizer.

663. Podem as preces, que por nós mesmos fizermos, mudar a natureza das nossas provas e desviar-lhes o curso?

“As vossas provas estão nas mãos de Deus e algumas há que têm de ser suportadas até ao fim; mas, Deus leva sempre em conta a resignação. A prece traz para junto de vós os bons Espíritos e, dando-vos estes a força de suportá-las corajosamente, menos duras elas vos parecem. Já o dissemos: a prece nunca é inútil, quando bem feita, porque fortalece aquele que ora, o que já constitui grande resultado. Ajuda-te a ti mesmo e o céu te ajudará, bem o sabes. Aliás, não é possível que Deus mude a ordem da Natureza ao sabor de cada um. Porque aquilo que é um grande mal, do vosso ponto de vista mesquinho, para a sua vida efêmera, é quase sempre um grande bem na ordem geral do Universo. Além disso, de quantos males o homem é o próprio autor por sua imprevidência ou pelas suas faltas? Ele é punido naquilo em que pecou. Todavia, as súplicas justas são atendidas mais vezes do que supondes. Julgais que Deus não vos ouviu porque não fez um milagre a vosso favor, quando Ele vos assiste por meios tão naturais que vos parecem obra do acaso ou da força das circunstâncias. Muitas vezes também Ele vos sugere a idéia que vos fará sair da dificuldade pelo vosso próprio esforço."

Oportunamente continuaremos.
Fiquem em paz.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Eventos em Peruíbe

Caríssimos Irmãos:

Vamos usar este espaço para a divulgação de eventos que consideramos importantes para nossa casinha de oração e caridade, e para o Espiritismo em nossa cidade.
Não postamos antes para não atrapalhar a divulgação do Mês Espírita de Itanhaém, mas consideramos chegado o momento.
Para não confundir, passaremos agora apenas as linhas gerais dos eventos, e posteriormente forneceremos maiores detalhes.

Em 29/11, domingo, ás 20:00, no Núcleo da Terceira Idade, havará a apresentação da peça de teatro "Paulo e Estevão", baseada na obra de Chico Xavier.
O Núcleo fica na Avenida Padre Anchieta, 995, no Centro de Peruíbe, e os ingressos estão sendo vendidos conosco á R$ 10,00, á título de antecipação, já que na portaria, no dia do evento, custarão R$ 20,00.

No dia 05/12, sábado, ás 19:00, teremos uma palestra em nossa casa, com o tema "Cura Espiritual".
O palestrante será um trabalhador espírita de São Vicente, de nome Joe Leite, e nesse dia teremos atividade em nosso bazar e na venda de livros, com o objetivo de financiar o auxílio das famílias cadastradas em nossa casa.

Por enquanto é isso.
Voltaremos ao tema oportunamente.
Fiquem em paz.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

As Candeias (3)




Caríssimos Irmãos:
Á título de encerramento deste pequeno estudo, gostaríamos de utilizar o Capítulo XXIV de "O Evangelho Segundo o Espiritismo" para aconselhar aos médiuns.

O capítulo citado não foi interpretado como sendo específico para os médiuns, mas poucos estudos revelam mensagens tão importantes como as contidas nele.
Isto é importante, na medida em que há médiuns que consideram essencial estudar "O Livro dos Médiuns", relegando outros aspectos á segundo ou último plano.
A primeira advertência importante é não ocultar a mediunidade. Não enterrá-la. Não colocá-la debaixo do alqueire.
Se nós considerarmos o trabalho mediúnico como fonte de iluminação do mundo, como o Espírito derramado sobre toda a carne, devemos aproveitar para diminuir nossa multidão de erros, através do trabalho caritativo, com a mediunidade.

Depois colhemos a advertência do Cristo: "Não ir aos gentios", que podemos adaptar para nosso cotidiano: não gastemos tempo tentando convencer que não quiser ser convencido.
Se alguém duvidar de nossas convicções, que aguardemos pacientemente a vitória da verdade, para demonstrarmos que sempre tivemos boas intenções.
Nada de querer exportar nossa consciência, ou pretender "fazer a cabeça" de quem quer que seja: como Jesus disse, há aqueles que mesmo vendo não vêem.

Outrossim, o Mestre amado nos esclarece: "os sãos não precisam de médico".
Então, se considerarmos a mediunidade remédio para alguma coisa, então somos os mais doentes! Ou no mínimo os primeiros que deveriam analisar com cuidado as informações prestadas através de nossa pessoa.
O Pai não nos facultaria uma possibilidade que não nos fosse útil.
Então a mediunidade não é punição e nem missão: é oportunidade de esclarecer ao mundo, começando por esclarecer á nós mesmos.

Ainda neste capítulo, encontramos a necessidade de termos coragem em confessar nossa fé.
Quantos de nós, por medo de julgamentos ou por inibição, não confessamos estarmos convencidos pela doutrina Espírita, estarmos esclarecidos na fé e na razão, termos encontrado boa parte das respostas que procurávamos.
Mas Jesus disse que se nos envergonharmos de sua companhia, Ele não carece mais de estar conosco.
Isso não significa contender, mas sim sermos defensores corretos de nossas convicções.

Por fim, ao término do capítulo, encontramos a determinação de que, se quisermos seguir á Jesus, devemos carregar nossa cruz.
Não devemos murmurar.
Não podemos nos revoltar, e considerar que por estar no trabalho mediúnico, seremos poupados das agruras da vida.
Onde o nosso mérito para ficarmos isentos dos processos retificadores?
Onde a promessa do Cristo de nos conceder facilidades?
E o que fazer com nosso passado delituoso?
Saibamos servir sem pretender privilégios, sem olhar para trás, sem nos arvorarmos em ser o que não somos.

Como se vê, é todo um programa de trabalho que se encontra contido no capítulo em questão.
Que nós, no exercício da mediunidade, saibamos ouvir as advertências do Cristo, e que Ele nos conceda forças para seguirmos em nossa pequena tarefa.
E Que Assim Seja!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Palestras da Semana em Itanhaém

Queridos Irmãos:
Visando prestigiar o Mês Espírita de Itanhaém, lembramos que esta semana está repleta de palestras, na quarta, na quinta, na sexta e no sábado.
Atenção para os horários (na sexta é um pouco mais cedo, ás 19:00, no sábado é de tarde, ás 14:30), e lembremos que sexta-feira é feriado em algumas cidades do litoral, como em Peruíbe.
Boas Palestras á todos!

18/11- Quarta-feira, 20:00
Casa Espírita Caminho da Paz - Rua Hermínia Dias de Matos, 51 - Jd. Grandesp
Palestra: "Família: A Célula Máter da Sociedade"
Palestrante: Sávio Palazzo

19/11- Quinta-feira, 20:00
Centro de Estudos Espíritas Léon Denis - Rua Nestor Leal, 151 - Jd. Umuarama
Palestra: "Reencarnação: Processo Educativo"
Palestrante: Francisco Lobo

20/11- Sexta-feira, 19:00
Centro Espírita Apóstolos de Jesus - Av. Coronel Seckler, 428 - Jd. Coronel
Palestra: "Perdoar 70 x 7 vezes"
Palestrante: Rosalina Gonçalves Starnini

21/11- Sábado, 14:30
Instituição Espírita Beneficente "Casa do Caminho", Av. Lídia, 344 - Vila Loty
Palestra: "A História da Educação do Espírito na Terra"
Palestrante: Orígenes Caetano

sábado, 14 de novembro de 2009

As Candeias (2)

Caríssimos Irmãos:
Continuando nosso estudo sobre este tema...

Em se levando ao pé da letra a passagem evangélica, uma contradição se apresenta: o Cristo manda-nos não esconder a candeia, mas falava por parábolas!

Tanto é assim, que os discípulos o indagaram, e Ele respondeu (Mateus,XIII:10-17):
“E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas?
Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado;
Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.
Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem.
E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, E, vendo, vereis, mas não percebereis.
Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E ouçam com os ouvidos, E compreendam com o coração, E se convertam, E eu os cure.
Mas, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem.
Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.”

A resolução dessa aparente contradição está em “não há coisa encoberta, que não haja de ser manifestada”.
De fato, se Jesus necessitou falar por parábolas, é que muitos não estavam preparados (ousamos dizer que ainda não estão) para toda a verdade.
Entretanto, Jesus nunca empregou qualquer metáfora quanto ás questões morais e a caridade: tudo revelou com toda a clareza possível.
É exatamente por isso que seu código moral é insuperável, haja vista que completo.

A expressão acima pode ser entendida como um alerta e uma promessa: um alerta de que chegará um dia em que todas as máscaras cairão, e uma promessa de que podemos confiar que a verdade imperará ao final de tudo.

Apesar de nossa insipiência, sabemos que a luz quando é demasiado forte mais ofusca que ilumina. E que muitos de nós, inclusive quem escreve neste momento, não temos condições de encarar a verdade de frente, sem elementos que aliviem a imensa luz que se apresente.

Mas o Mestre Nazareno nos prometeu auxiliar, socorrendo-nos com o Consolador prometido, que vêm suplementar nossa carências, dando “a quem já tem”, ou seja, dando intuição á quem caminhar na seara do bem, dando esclarecimento á quem buscar entendê-lo sem preconceitos, dando oportunidade á quem visar praticar a caridade, etc.

Os aspectos levantados nestes ensinamentos, somente reforçam o entendimento da “Lei de Progresso”, um dos aspectos da “Lei Divina e Natural” abordados por Kardec em “O Livro dos Espíritos”.
A candeia deve iluminar, mas sua luz se espalhará gradualmente, de acordo com o amadurecimento da humanidade.

Oportunamente concluíremos este tema.
Estejam em Paz.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Palestras em Itanhaém

Caríssimos Irmãos:
Não nos esqueçamos que está em curso o Mês Espírita de Itanhaém.
As duas próximas palestras serão proferidas hoje e amanhã, conforme segue:

Sexta, 13/11, Centro Espírita Joana D'Arc, 20:00, Educação Mediúnica  - Orador Lauriano dos Santos
O endereço da casa é Rua Stanislau Gerônimo, 384, Jardim Oásis.

Sábado, 14/11, Centro Espírita André Luiz, 20:00, PNL e Educação do Ser Humano - Orador Fábio José Gonçalves
O endereço da casa é Rua Julio Pires, 275, Vila São Paulo.

Compareçamos!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

As Candeias (1)


“Ninguém, pois, acende uma luzerna e a cobre com alguma vasilha, ou a põe debaixo da cama; põe-na, sim, sobre um candeeiro, para que vejam a luz os que entram. Porque não há coisa encoberta, que não haja de ser manifestada; nem escondida, que não haja de saber-se e fazer-se pública.” (Lucas, VIII: 16-17). Semelhante em Mateus, V:15.


Caríssimos Irmãos:

Estamos iniciando, novamente, uma série de postagens que visa favorecer o estudo daqueles que freqüentam nossos cursos.

Seguimos O Evangelho Segundo O Espiritismo, e estamos nos referindo ao capítulo XXIV.

Para iniciarmos, gostaríamos de esclarecer a dúvida pertinente ao significado de algumas palavras, hoje pouco utilizadas.
Luzerna: grande luz; clarão; luzeiro. Também pode ser usado como sinônimo de “olhos”, principalmente no plural, ou na forma “luzeiros”.
Candeeiro: aparelho, com pé ou de suspensão, para alumiar, queimar nele óleo ou gás inflamável; lampião.
Candeia: pequena lâmpada de bico, que se suspende de um prego.
Alqueire: unidade de medida. Na passagem do Evangelho em que se diz “Vem porventura a candeia para se meter debaixo do alqueire, ou debaixo da cama? Não vem antes para se colocar no velador?”, (Marcos, IV:21), o sentido é de enterrado, sob a terra, escondido.
Velador: no Evangelho, suporte vertical de madeira, o qual se assenta numa base ou pé, e termina no alto por um disco onde se põe um candeeiro ou uma vela.

Estas passagens do Evangelho estão relacionadas á transmissão do conhecimento: aquele que o possui deve iluminar aos outros, e não usá-lo privativamente, ou mesmo escondê-lo.

Aprofundemos a metáfora: uma candeia tem por objetivo iluminar ambientes. Mas, para que isso aconteça, é necessária certa quantidade de oléo em seu recipiente e um acendedor para preparar o funcionamento.
Se somos a candeia, a palavra de Deus é o óleo que nos alimenta . O acendedor desse fogo seria o fenômeno mediúnico, ou no entender das demais religiões, o Espírito Santo.
Como candeias, temos necessidade de oléo, diariamente, a fim de que o fogo permaneça acesso.
Candeias não podem ter furos, brechas, ou rachaduras. O oléo escaparia. Sem óleo, sem fogo.
Daí a necessidade de sermos perfeitos, segundo preceituou o Mestre.

Também não devemos nos esconder: uma candeia, escondida em baixo de uma cama ou de um alqueire, não tem serventia. É como se não existisse.
Se formos apenas ouvintes da Palavra, e não praticantes, seremos como a candeia escondida, citada por Jesus.
Se possuirmos a luz, e não iluminarmos, seremos maus utilizadores dos talentos, servos indignos, conforme em outras passagens do Evangelho.

Na próxima postagem, buscaremos aprofundar o tema.
Fiquem em paz.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mês Espírita de Itanhaém

Queridos Amigos:
É com imensa satisfação que convidamos á todos á mais um Mês Espírita de nossos irmãos das casas de Itanhaém.
Que essa realização seja repleta de êxito, e vamos aproveitar a oportunidade para melhor refletirmos acerca dessa doutrina maravilhosa que compartilhamos.
Fiquemos em paz.


Clique na imagem para ampliar.

sábado, 7 de novembro de 2009

As Leis Humanas e a Moral Cristã (3)


Caríssimos Irmãos:
Concluiremos agora o assunto de nossas postagens anteriores.
Fiquem em paz!

Passagens há, como em Lucas, XIV:25-26, que não parecem lógicas: “Ora, ia com ele uma grande multidão; e, voltando-se, disse-lhe: Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.”


Jesus afirma que “quem tem ouvidos para ouvir, ouça”, mas, ou nos falta ainda o entendimento necessário á compreensão do que seja “aborrecer pai e mãe”, ou as palavras Dele foram deturpadas ao longo do tempo.

Não parece ser este conselho coerente com o “honrar pai e mãe”, que Ele pregou.(Mateus, XV: 4-6)

Em Mateus, X:37: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.”, o problema parece mais de ênfase. É evidente a preocupação em distinguir as coisas espirituais das materiais, as permanentes, pois advindas de Deus, das transitórias, mundanas.

E isto é semelhante ás inúmeras vezes em que Jesus advertiu-nos á não olhar para traz, a deixar os mortos enterrarem seus mortos, á largar de mão tudo o que possuímos, á carregar com dignidade nossa cruz.

Nas palavras de Allan Kardec, “Os interesses da vida futura estão acima de todos os interesses e todas as considerações de ordem humana, porque isto concorda com a essência da doutrina de Jesus...” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXIII, item 6)

Durante séculos os líderes políticos e militares de vários Estados usaram da palavra do Cristo como lhes convieram. Seu significado foi deturpado, ao ponto de o Mestre da paz e da mansidão ser utilizado para justificar a “guerra santa” e a “paz dos cemitérios”.

No campo da regulação das leis humanas, seu legado também não ficou imune de ser distorcido de acordo com os interesses de plantão.

Compete á nós, com maior esclarecimento e lucidez, e auxiliados pelos Espíritos que trabalham na divulgação de Suas palavras, separar o joio do trigo, o transitório do imperecível, o mundano do santificado.

Compete á nós não cairmos mais nas armadilhas dos jogos de palavras, das visões superficiais em matéria de moral, da verborragia dos falsos profetas.

E refletir no conjunto da obra do Cristo, elevando sempre nossos conceitos, para implantar neste mundo o seu reino de paz.

E Que Assim Seja!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

As Leis Humanas e a Moral Cristã (2)


Queridos Irmãos:
Deve ter sido muito difícil para Jesus executar sua missão.
Atenhamo-nos apenas aos aspectos morais do exercício de suas tarefas, e já teremos pálida idéia dessas dificuldades.

Para não ser confundido com um conquistador mundano, libertador do povo Hebreu, nasceu em uma manjedoura.
E mesmo assim o foi!

Para não se imaginar que sua palavra deveria favorecer aos doutos apenas, escolheu para seguidores pescadores ignorantes.
E mesmo assim foi confundido!

Buscou falar com simplicidade e clareza, mas não podia dizer tudo o que sabia!
Teve de alertar seus discípulos acerca da maldade do mundo, e da deturpação de suas palavras!
E quantos padecimentos morais iguais á esses ou maiores Ele não sofreu?

Inúmeras vezes os Escribas e os Fariseus buscavam colocá-lo em contradita com as autoridades.
De certa feita, perguntaram acerca do repúdio á mulher, considerado direito naquela época (Mateus, XIX:3-9), e colheram como resposta: “Não separe o homem o que Deus ajuntou.”
Mas será que o Cristo estava falando da indissolubilidade do casamento?
Um casamento que já fracassou, em que as pessoas apenas se toleram, ou nem se toleram mais, não está acabado de fato, mas não de direito?
Estão estas pessoas unidas “por Deus”?

Jesus, evidentemente, conhecia o futuro: inúmeras vezes fez previsões que viriam a se concretizar.
Conhecia, portanto, a relatividade das leis da época, e as mudanças que sofreriam essas leis, mas não ia perder tempo explicando á cegos sobre realidades que estes não tinham condições de ver!

E quando disse que viera trazer a espada, e não a paz (Mateus, X:34-36), isto era um aviso ou uma imprecação?
Ora, pretender que Jesus amaldiçoasse alguém é lhe atribuir nossos defeitos mundanos!
Ele não é igual á nós!

Portanto, quando disse que os inimigos do homem estariam em sua própria família, estava avisando, ou de uma maneira simbólica, ou com muita clareza, que precisaríamos agüentar até mesmo o desacordo de nossos entes mais próximos, se resolvêssemos seguir seu caminho.
De fato, não foram fundadas muitas religiões “em seu nome”, e esses “irmãos”, ou “filhos do mesmo pai”, não se perseguiram e até mataram entre si?

E por outro lado, quando pretendemos praticar a nossa reforma íntima, quando iniciamos em Sua senda, via de regra não são nossos cônjuges, ou pais, que primeiramente duvidam de nossas intenções?
E se nossa postura reformada os incomoda, não são os primeiros á nos tachar de fanáticos ou santarrões?

Jesus precisava emitir um ensinamento universalizante, mas deveria fazê-lo em uma cultura específica, regional e com seus valores arcaicos.
Dessa contradição resulta em muitas passagens a obscuridade de suas palavras: Ele foi o mais claro que pode. Obscuro era e é o nosso entendimento de sua mensagem!

Continuaremos oportunamente. Fiquem em paz. Com a graça de Deus.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Leis Humanas e Moral Cristã (1)

Hoje iniciaremos mais uma série de postagens referentes á um tema específico. No caso em questão, discutiremos os aspectos relacionados ao que chamaríamos de “vida familiar”, e sua relação com o Evangelho.
Portanto, poderemos estar comentando o casamento, o divórcio, a relação entre pais e filhos, etc., sempre buscando o entendimento destas questões á luz do evangelho.
Mas faremos diferente de outras vezes: comumente, postamos os textos evangélicos e depois os comentamos. Dessa vez, teremos que iniciar com um comentário geral, para depois buscarmos os textos específicos.
Saibam, todos, que estamos preocupados em aprofundar os temas dos capítulos XXII e XXIII de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.

Todos sabemos que existem leis que regulam as relações civis, a vida familiar. Nada mais mutável que estas leis: elas são diferentes em todas as regiões, em todos os países, em todas as culturas, em todos os tempos. Em poucas palavras: elas são diferentes no tempo e no espaço!
Talvez não exista tema dentro do Evangelho, onde se precise mais abandonar a letra que mata, e buscar o espírito que vivifica, como disse o apóstolo Paulo.
Jesus, evidentemente, sabia da mutação que ocorreria nas relações sociais desde o seu tempo até o futuro. Também, bem o sabemos, não perdia tempo em discussões estéreis, buscava sempre aplicar ensinamentos em tudo o que fazia.
Parece-nos que, a maioria das vezes em que Ele se pronunciava á respeito dessas relações sociais, era fustigado por um fariseu ou “doutor” da lei, que o queria “tentar”, como se diz nos evangelhos.
E o que fazia Jesus, então?
Fomentava a explicação da mais elevada moralidade possível, nos casos em questão, não confrontando a lei mosaica, onde não fosse necessário. Ou seja, buscava ser universalista, sem ofender as práticas locais e temporais.

Nós, espíritas, acreditamos que em tudo, o que vale é a intenção.
Acreditamos estar dentro da moralidade pregada por Jesus ao afirmarmos que nossos pensamentos, palavras e atos, devem todos ter a intencionalidade da mais pura caridade, devem todos rumar para o mesmo lugar, devem todos visar o bem.
É por isso que analisaremos as instituições humanas com a relatividade que elas merecem: somente o que for de Deus permanecerá.
As leis humanas mudarão sempre, ou mudarão pelo menos até se adequarem perfeitamente ás leis de Deus, o que ainda está muito longe de acontecer.

Enquanto isso não acontecer, busquemos aprimorar a sociedade.
E, isentos de preconceitos, começemos por refletir sobre as relações sociais e sua adequação á moral cristã.

Estejamos em paz, e até logo. Graças á deus.

domingo, 1 de novembro de 2009

Dia de Finados (2)


Queridos Irmãos:


Pedimos desculpas pela demora em atualizar nossas postagens: tivemos alguns problemas, já sanados.
Felizmente, o assunto é quanto ao Dia de Finados, e ainda está em tempo de ser comentado.
Comentemos, então, de acordo com a ordem das perguntas de O Livro dos Espíritos, inseridas na postagem anterior.

320. Os espíritos se sensibilizam com nossas lembranças. Dependendo da situação em que se encontrem, isto lhes serve de felicidade ou alívio.
321. Não faz diferença em que dia os lembremos, em verdade deveríamos cultivar sua memória todos os dias. Mas se engana quem pensa que eles não se encontram nos cemitérios no dia consagrado á sua visitação: nós mesmos nos condicionamos á marcar um encontro com eles nesta data, nestes lugares!
Se os lembrarmos em casa, ou em qualquer outro lugar, e eles forem autorizados á isto, acorrerão á nosso encontro.

322. Aqueles á que ninguém devota memória, se independizam deste processo, e seguem seu rumo mais ou menos ditoso.

323. De qualquer maneira, a presença ou não de seus despojos onde alguém se lembrar dele, em nada o aproveita. Somente a intenção sincera de lhe fazer o bem, a saudade, a oração por si, pode lhe favorecer em sua jornada.

324. Mesmo as solenidades em seu nome, se desprovidas de sentimento, nada lhes acrescenta.

325. A fixação por determinado lugar para ser enterrado, demonstra preocupação com um aspecto secundário da morte, e não se coaduna com a elevação espiritual. Mas isso se aplica aos que já se foram, e não á seus familiares. Testemunhar preocupação com a junção dos despojos de seus familiares em um mesmo local, é no mínimo um sinal de respeito e simpatia.

326. Como cada espírito se encontra em determinado estágio de evolução espiritual e entendimento, existem aqueles em que perduram por mais tempo as preocupações com homenagens em seu nome, mas fatalmente acabarão por superar esta fase.

327. Há, ainda, aqueles que têm a oportunidade de presenciar as querelas envolvendo partilhas de bens. Seria oportuno que todos reconhecessem que haverá um dia em que todas as máscaras cairão. Que tenhamos a consciência limpa neste dia e em todos os demais!

328. É evidente que o sentimento disseminado entre a humanidade, em todos os tempos, acerca da continuidade da vida, patenteia uma intuição com relação ás verdades espirituais. Enquanto estas verdades vão se descortinado, compete-nos respeitar para sermos respeitados.

Fiquemos em paz. E que Jesus nos acompanhe. Graças á Deus.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Dia de Finados (1)



Caríssimos Irmãos:

O Espiritismo tem profundo respeito pelos mortos, apesar de consistir um erro afirmar que é uma doutrina destes: ora, se o Espiritismo prova que não se morre, ele é a doutrina dos vivos, deste ou do outro lado da vida!

Como não poderia deixar de ser, este respeito se estende ao dia em que algumas religiões se dedicam á homenagear seus mortos.
Os próprios espíritos abordaram este tema, em tópico do Capítulo VI, da Parte 2ª do Livro dos Espíritos.
Hoje postaremos o texto, para oportunamente comentarmos.
Fiquemos em paz.

Comemoração dos mortos. Funerais.

320. Sensibiliza os Espíritos o lembrarem-se deles os que lhes foram caros na Terra?
“Muito mais do que podeis supor. Se são felizes, esse fato lhes aumenta a felicidade.
Se são desgraçados, serve-lhes de lenitivo.”

321. O dia da comemoração dos mortos é, para os Espíritos, mais solene do que os outros dias? Apraz-lhes ir ao encontro dos que vão orar nos cemitérios sobre seus túmulos?
“Os Espíritos acodem nesse dia ao chamado dos que da Terra lhes dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer.”

a) - Mas o de finados é, para eles, um dia especial de reunião junto de suas sepulturas?
“Nesse dia, em maior número se reúnem nas necrópoles, porque então também é maior, em tais lugares, o das pessoas que os chamam pelo pensamento. Porém, cada Espírito vai lá somente pelos seus amigos e não pela multidão dos indiferentes.”

b) - Sob que forma aí comparecem e como os veríamos, se pudessem tornar-se visíveis?
“Sob a que tinham quando encarnados.”

322. E os esquecidos, cujos túmulos ninguém vai visitar, também lá, não obstante, comparecem e sentem algum pesar por verem que nenhum amigo se lembra deles?
“Que lhes importa a Terra? Só pelo coração nos achamos a ela presos. Desde que aí ninguém mais lhe vota afeição, nada mais prende a esse planeta o Espírito, que tem para si o Universo inteiro.”

323. A visita de uma pessoa a um túmulo causa maior contentamento ao Espírito, cujos despojos corporais aí se encontrem, do que a prece que por ele faça essa pessoa em sua casa?
“Aquele que visita um túmulo apenas manifesta, por essa forma, que pensa no Espírito ausente. A visita é a representação exterior de um fato íntimo. Já dissemos que a prece é que santifica o ato da rememoração. Nada importa o lugar, desde que é feita com o coração.”

324. Os Espíritos das pessoas a quem se erigem estátuas ou monumentos assistem à inauguração de umas e outros e experimentam algum prazer nisso?
“Muitos comparecem a tais solenidades, quando podem; porém, menos os sensibiliza a homenagem que lhes prestam do que a lembrança que deles guardam os homens.”

325. Qual a origem do desejo que certas pessoas exprimem de ser enterradas antes num lugar do que noutro? Será que preferirão, depois de mortas, vir a tal lugar? E essa importância dada a uma coisa tão material constitui indício de inferioridade do Espírito?
“Afeição particular do Espírito por determinados lugares; inferioridade moral. Que importa este ou aquele canto da Terra a um Espírito elevado?
Não sabe ele que sua alma se reunirá às dos que lhe são caros, embora fiquem separados os seus respectivos ossos?”

a) - Deve-se considerar futilidade a reunião dos despojos mortais de todos os membros de uma família?
“Não; é um costume piedoso e um testemunho de simpatia que dão os que assim procedem aos que lhes foram entes queridos. Conquanto destituída de importância para os Espíritos, essa reunião é útil aos homens: mais concentradas se tornam suas recordações.”

326. Comovem a alma que volta à vida espiritual as honras que lhe prestem aos despojos mortais?
“Quando já ascendeu a certo grau de perfeição, o Espírito se acha escoimado de vaidades terrenas e compreende a futilidade de todas essas coisas. Porém, ficai sabendo, há Espíritos que, nos primeiros momentos que se seguem à sua morte material, experimentam grande prazer com as honras que lhes tributam, ou se aborrecem com o pouco caso que façam de seus envoltórios corporais. É que ainda conservam alguns dos preconceitos desse mundo.”

327. O Espírito assiste ao seu enterro?
“Frequentemente assiste, mas, algumas vezes, se ainda está perturbado, não percebe o que se passa.”

a) - Lisonjeia-o a concorrência de muitas pessoas ao seu enterramento?
“Mais ou menos, conforme o sentimento que as anima.”

328. O Espírito daquele que acaba de morrer assiste à reunião de seus herdeiros?
“Quase sempre. Para seu ensinamento e castigo dos culpados, Deus permite que assim aconteça. Nessa ocasião, o Espírito julga do valor dos protestos que lhe faziam.
Todos os sentimentos se lhe patenteiam e a decepção que lhe causa a rapacidade dos que entre si partilham os bens por ele deixados o esclarece acerca daqueles sentimentos. Chegará, porém, a vez dos que lhe motivam essa decepção.”

329. O instintivo respeito que, em todos os tempos entre todos os povos, o homem consagrou e consagra aos mortos é efeito da intuição que tem da vida futura?
“É a consequência natural dessa intuição. Se assim não fosse, nenhuma razão de ser teria esse respeito.”

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Necessidades

Queridos irmãos:
Publicaremos neste espaço uma poesia recebida psicograficamente em um de nossos cursos.
Se o fazemos, é na forma de incentivo ao estudo da mediunidade e a sua prática.
Verificamos os requisitos necessários á sua divulgação, e acreditamos que esta mensagem os preenche.
Inicialmente, não é assinada, ou seja, não se pretende auferir nenhum tipo de prestígio com sua divulgação.
Também tem conteúdo notoriamente de fundo moral, sem linguagem vulgar ou rebuscada em excesso, e prima pelo incentivo ao estudo e á disciplina.
Por fim, foi realizada em meio á um ambiente de oração, paz e tranquilidade, onde o agradecimento á Deus é uma constante, e o espírito de trabalho contagia á todos.
Boa leitura e reflexão. Que todos encontrem a paz.

                           NECESSIDADES
As cerdas alinhadas do pincel
A branca tela que absorve a tinta
As várias cores e o papel
São necessários á quem pinta.

A doce voz de quem canta
Das cordas vocais e dos lábios necessita
Ao entoar a ária maviosa que encanta
Que enternece, e o silêncio justifica.

Do diapasão não pode prescindir
O músico que a melodia enaltece
Com treino ele tem que insistir
Pois com persistência sua arte enobrece.

No mundo espiritual não é tão diferente:
Necessita o bom guia ao nosso lado
De instrumento afinado e interprete competente
Traduzido no auxílio do médium preparado.

                                    Graças á Deus.

domingo, 25 de outubro de 2009

Evocação de Espíritos

Caríssimos Irmãos:

Um dos grandes questionamentos que se faz ao Espiritismo, é quanto á evocações dos mortos.
Gostaríamos de adentrar á esta polêmica, nunca suficientemente resolvida, dando um argumento extremamente simples, que alguns chamariam mesmo de simplista, o que não nos incomoda.
Antes, deveríamos dizer que, quem condena ás evocações, normalmente se baseia na proibição de Moisés, Deuteronômio, XVIII:10-12.

Em “O Céu e o Inferno”, Allan Kardec fala a respeito da proibição de se evocar os mortos:
“A proibição de Moisés era assaz justa, porque a evocação dos mortos não se originava nos sentimentos de respeito, afeição ou piedade para com eles, sendo antes um recurso para adivinhações, tal como nos augúrios e presságios explorados pelo charlatanismo e pela superstição. Essas práticas, ao que parece, também eram objeto de negócio, e Moisés, por mais que fizesse, não conseguiu desentranhá-las dos costumes populares”.
"Quando a evocação é feita com recolhimento e religiosamente; quando os Espíritos são chamados, não por curiosidade, mas por um sentimento de afeição e simpatia, com desejo sincero de instrução e progresso, não vemos nada de irreverente em apelar-se para as pessoas mortas, como se fizera com os vivos. Há, contudo, uma outra resposta peremptória a essa objeção, e é que os Espíritos se apresentam espontaneamente, sem constrangimento, muitas vezes mesmo sem que sejam chamados. Eles também dão testemunho da satisfação que experimentam por comunicar-se com os homens, e queixam-se às vezes do esquecimento em que os deixam. Se os Espíritos se perturbassem ou se agastassem com os nossos chamados, certo o diriam e não retornariam; porém, nessas evocações, livres como são, se se manifestam, é porque lhes convém”. (Allan Kardec, O Céu e o Inferno, pgs. 155-156)

Por outro lado, e eis nosso argumento, se “evocar” os mortos não é correto, “receber” os mortos não é proibido. Ou pelo menos não é proibido desde que Jesus o fez.
Em Mateus, Capítulo XVII, Jesus não só recebe a presença de Moisés e Elias, como ainda chama Pedro, Tiago e João para testemunha-la.
Ora, não nos é possível imaginar Jesus fazendo algo que fosse proibido.
Não vamos nem ser levianos de argumentar com relação á isso; se o Mestre fez, é possível fazer, estamos autorizados a tentar fazer, pois sua prescrição foi de “sermos perfeitos”, pois tudo o que Ele fez foi exemplificar.
Portanto, se Moisés proibiu, Jesus revogou, demonstrando que a proibição estava muito mais vinculada á capacidade da humanidade á época de Moisés, do que á impossibilidade da execução.

Sabemos da prudência necessária quanto ás evocações.
Sabemos que muitos espíritos não estão em condições de atender á chamados particulares.
Sabemos a opinião de Emmanuel e André Luiz á esse respeito.
Sabemos, também, e fazemos questão de respeitar, a opinião das outras religiões.
Mas pedimos á quem se interessar, que pense minimamente, e mesmo que não concorde, pare de “demonizar” nossa posição, pois isso em nada colabora com qualquer debate.

Estejamos em paz, e que o Cristo nos ampare e proteja.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Os Falsos Profetas (4)


Caríssimos Irmãos:

A título de finalização, e enquanto recomendação especial para os espíritas, público preferencial deste blog, segue esta última postagem sobre o tema. Que ela conduza á reflexões, é o que se pretende.

O Espiritismo vêm nos colocar em alerta contra um outro tipo de falso profeta: o falso profeta da erraticidade, ou seja, o espírito desencarnado, que vêm até nós com a intenção de nos induzir á erro, e é um dos maiores problemas da mediunidade.
Esta categoria de espíritos, evidentemente, não foi “inventada” pelo Espiritismo: na antiguidade, eles eram tratados como “deuses” infernais, que precisavam ter sua ira aplacada com os sacrifícios de sangue. Depois, foram substituídos no imaginário coletivo pelos “íncubos” e “sucubus”, posteriormente pelos “demônios”, etc.
Via de regra são espíritos que exerceram alguma forma de poder, durante uma ou várias encarnações, e que, uma vez desencarnados, não conseguem abrir mão deste poder, fazendo de tudo para mantê-lo.

Erasto, discípulo de Paulo de Tarso, nos adverte no capítulo XXI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” que “um médium pode ser fascinado” e até “um grupo pode ser enganado”.
Hermínio Miranda nos demonstra sua gênese e a forma de atuação em “Diálogo com as Sombras”.
André Luiz, através da mediunidade de Chico Xavier, nos demonstra sua estruturação hierárquica e vinculação, em “Libertação”.
Salvador Gentili nos relata quadros escabrosos de seus processos obsessivos em “Liberação”
Suely Caldas Schubert os revela e estuda em “Obsessão e Desobsessão”.
Poderíamos citar, ainda, inúmeros outros relatos, advindos de médiuns respeitados como Yvonne Pereira e Divaldo Franco, ou trabalhos importantes como o de Luiz Gonzaga Pinheiro, mas acreditamos ter demonstrado rapidamente a necessidade de estudo e vigilância por parte daqueles que trabalham com a mediunidade.

Não esqueçamos jamais, que o Mestre nos ensina a perdoar sempre, e que devemos usar da caridade para com estes nossos irmãos, acautelando-nos, e se possível submetendo tudo ao cadinho da razão, e ao Controle Universal dos Espíritos.
Desconfiar sempre, especialmente dos que vêm com nomes ilustres, das comunicações que não tenham clareza e objetividade, das inovações doutrinárias, daqueles que usam de exclusividade para com seus médiuns, das práticas rituais sugeridas, do menor sinal de orgulho ou vaidade, daqueles que demonstram carecer de aprovação e distinção.
Desconfiar, especialmente, nos grupos de desobsessão. Daqueles que não demonstrem humildade, dos que se lamentam em demasia, e não se prontificam á agradecer ao Pai, dos que não desejam trabalhar
E manter-se atento ás próprias palavras, para não se tornar entre os encarnados, marionete destes falsos profetas da erraticidade, se tornando, assim, falso profeta também.

E que Deus nos abençoe e nos proteja, hoje e sempre.
Que Assim Seja.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os Falsos Profetas (3)


Queridos Irmãos:


Que a paz esteja com todos!

Quais critérios usar, então, para reconhecer os falsos profetas?

Primeiro, que se o falso profeta é um enganador, podemos com a convivência reconhecer nele a separação entre sua fala e sua ação. Se o professador de uma suposta verdade, não a utiliza enquanto verdade para si mesmo, então ele não professa o que acredita, ou não acredita no que professa! Dá na mesma.

Podemos, até, sermos capazes de surpreender falta de sintonia entre o pensamento e a ação, através de lapsos comportamentais que, infelizmente, somente perceberemos com a convivência. Eis aqui o critério do “tempo” para que a árvore dê frutos.

Outra característica evidente nos falsos profetas, é a necessidade de propagarem o que são. É a vaidade de sua posição, é o orgulho com que normalmente se apresentam, enquanto ungidos, abençoados, etc.
A característica da humildade, tão presente em nosso Mestre, deveria ser conduta exigida para todos que se dissessem seguidores de sua obra.
Os falsos profetas se orgulham de ter o que não pode lhes pertencer, haja vista que tudo é empréstimo de Deus, até e principalmente a capacidade de entender e divulgar suas verdades!

Outra possibilidade que temos de surpreender os falsos profetas se encontra no exclusivismo de sua verdade: só eles sabem, toda a verdade está com eles, somente o caminho que eles pregam é o correto, fora de sua vivência e convivência não há salvação, etc.
É evidente que Deus não concentra todas as suas possibilidades em um só ser humano, é evidente que á nenhum de nós é dado saber toda a verdade. E se o fosse, esta verdade seria progressiva, ou seja, com o tempo ela seria relativizada pela capacidade aumentada de todos em perceber a verdade, e então seria necessária uma “nova verdade”, ou seja, forçosamente viria um novo profeta, com aspectos adiantados da verdade.
Em resumo, aquele que se pretender de posse de um saber exclusivo, de um canal de comunicação exclusivo com Deus ou com o Cristo, que se orgulhar disso, e que arregimentar as massas em benefício próprio, este com certeza é um falso profeta.

Aquele cujas ações não demonstrarem a elevação que suas palavras pregam, cujos atos não dizerem da mais elevada humildade, que não for manso, pacífico, justo, qualidades enfatizadas pelo Cristo, este com certeza é um falso profeta, e presta um desserviço á humanidade, na medida em que apenas tem o dom da palavra, mas usa esse dom não para fazer evoluir a humanidade, mas em proveito próprio.

Por fim, na última postagem desta série, comentaremos acerca dos falsos profetas da erraticidade, ou seja, aqueles que já desencarnaram e buscam através dos médiuns dar seus falsos testemunhos.
Até lá, e fiquem com nosso querido Mestre Jesus. Que Assim Seja!

domingo, 18 de outubro de 2009

Os Falsos Profetas (2)


Caríssimos irmãos:

Que a paz esteja com todos.

Continuando a nossa análise, pediríamos desculpas aos mais preocupados com o rigor intelectual: apesar de não pretendermos distorcer nenhum ensinamento do Cristo, nossa intenção é de popularização de alguns conceitos, e não de parecermos doutos aos olhos de quem quer que seja.

Dito isto, reforçamos: desculpem as simplificações, elas são resultado de nosso pensamento, que é meio simplista!

Quando falamos em “profetas”, logo vêm á mente das pessoas os grandes adivinhos, os que fizeram previsões acerca do futuro, como Nostradamus, por exemplo, ou os profetas do Antigo Testamento.
Mas a capacidade de prever o futuro é apenas um dos atributos de alguns profetas, e nem de longe está consignada em todos.

Na verdade, a palavra profeta, como utilizada pelos apóstolos, está muito mais próxima do conceito de proferir, professar, ou seja, da mesma raiz de professor, profissão.
Quais seriam, então, as características do falso profeta?
De início, seria aquele que proferisse o que não praticasse. Ou seja, aquele cujas palavras não condizem com a prática.
Jesus sempre apontou erro nisto, o que insistiu em chamar de hipocrisia, e de atribuir aos escribas e fariseus, elemento que em parte explica o porque foi tão perseguido e condenado á cruz.

Em Lucas,VI:45-46, o Cristo diz:
“O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca. E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?”
Então, cuidado com a falsidade e o fingimento advindo daquele que detenha a palavra, com a missão de propagá-la, e que não cumpra minimamente aquilo que prega.
É claro que não podemos exigir do professante da palavra divina a perfeição: isto somente o Cristo tinha.
Mas se aquele que está investido da palavra não for o primeiro á ouvi-la, a buscar aplicá-la a si mesmo, e se seus atos e pensamentos denunciam uma farsa, a deliberação em praticar algo diferente do que fala, e manter-se, entretanto, com o poder da palavra, este é o lobo com pele de cordeiro, e imagina-se o mal que possa fazer.

E Jesus adverte que estes mesmos realizarão prodígios!
É que, como o Espiritismo pretende demonstrar, a capacidade de operar os ditos “milagres”, resulta muito mais de características das próprias leis dos fenômenos espirituais e materiais, do que da vinculação ou não á figura do Mestre Nazareno.
Assim é que ele mesmo afirmou:” Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.” Mateus, VII:22-23.

Mas que critério utilizar, enfim, para se acautelar contra os falsos profetas?
Continuaremos Oportunamente.
Fiquem todos em paz.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Os Falsos Profetas (1)

"Guardai-vos, pois, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores.
Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?
Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz maus frutos.
Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar bons frutos.
Toda a árvore que não dá bons frutos será cortada e lançada no fogo.
Portanto, pelos seus frutos os conhecereis." (Mateus, VII:15-20)

Caríssimos Irmãos:
Vamos iniciar mais uma pequena série de postagens sobre um tema específico, no caso, as passagens evangélicas sobre os falsos Cristos e os falsos profetas.
Fazemos isto com a finalidade de favorecer as pessoas frequentadoras de nosso curso de estudo de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", sempre ás segundas, ás 19:00, e áquelas que frequentam as nossas reuniões públicas, pois pautamos nossas palestras por estes mesmos temas.
Estamos utilizando as seguintes referências, que não iremos reproduzir para economizar espaço:
Capítulo XXI de "O Evangelho Segundo o Espiritismo";
Evangelho de Mateus, VII:15-20; XXIV,4-24;
Evangelho de Marcos, XIII: 5-22;
Evangelho de Lucas, VI:43-45;
1ª Epístola de João, IV:1.
Iniciemos, então.

Em algumas traduções dos Evangelhos, encontra-se  "Acautelai-vos dos falsos profetas", em lugar de "Guardai-vos...". Preferimos o conceito embutido em "guardar" pois, além de manter cautela, ter cuidado, mesmo se por engano formos colocados ao alcançe daqueles que "se vestem como ovelhas, mas são lobos devoradores", guardar denota uma atitude mais reservada, um degrau a mais na prudência, que permitiria, com o tempo, reconhecermos o embuste, e nos afastarmos dos enganadores.
E é exatamente a ênfase na questão do tempo, que salientaremos ao longo dessa análise.
Antes, vamos chamar a atenção para o fato de que há duas metáforas logo no início do texto, como se Jesus quisesse chamar a atenção de pastores (ovelhas/lobos) e agricultores (uvas e figos/espinheiros e abrolhos). Aliás, abrolhos é o nome que comumente se dá a diversos tipos de plantas rasteiras e espinhosas.
Continuando, os estudiosos demonstram que havia á época de Jesus um conflito entre uma parte da sociedade agrária, sedentária, e uma outra com intensa mobilidade geográfica, baseada no pastoreio. Alguns acreditam que o mito de Caim e Abel representaria este conflito, tendo o Deus do Antigo Testamento aceitado a oferta do pastor, em detrimento da do agricultor, apesar desta ter sido feita primeiro.
Portanto, parece que Jesus desejava ser compreendido tanto por uns como por outros.

Entramos, então, no conceito mais relevante: árvore boa não produz mau fruto, e vice e versa.
Vejamos que isto, apesar de parecer uma obviedade, não é muito seguido hoje: existem diversas pessoas que atribuem ao Espiritismo ligações com o "demônio", e isto apesar de o Espiritismo produzir excelentes frutos através da caridade!
Há aqueles que, inclusive, defendem a tese de que o próprio "demônio" pode fazer o bem, para enganar os incautos, e isto seria vestir-se de ovelha.
Mais uma vez a chave para refutar esta tese está na questão da temporalidade.
Mas este item ficará em aberto até a nossa próxima postagem.
Fiquem com Deus, e até lá.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Com Respeito á Chico Xavier


Queridos Irmãos:

O título desta postagem é propositadamente dúbio: além de falarmos á respeito de Chico Xavier, somos daqueles quem têm profundo respeito por Chico Xavier.
Ele é um de nossos modelos de pessoa, de médium, de trabalhador da seara espírita.
Seu exemplo foi o da permanente humildade, e o da busca incansável da prática da caridade.
E antes que chovam críticas, deixemos claro: Jesus é nosso modelo superior, incomparável. E até nisso Chico exemplificou: ele nunca perdeu o Mestre de vista enquanto modelo!
Dito isto, vamos juntar algumas informações que já prestamos de forma esparsa.
Ano que vêm, 2010, será o ano de comemoração do centenário do nascimento de Chico Xavier.
Inúmeras ações de homenagem ou de estudo e divulgação de sua obra estão programadas. Mantenhamo-nos atentos e informados.
Já mencionamos neste espaço a confecção de selo comemorativo, por parte dos Correios,selo que deverá vir á luz próximo da data de nascimento de Chico, que foi em 02 de abril.
Também recebemos a informação, que não podemos confirmar, que está em produção um filme sobre a vida do médium mineiro, e que este filme (ou documentário?) estaria pronto ainda em 2010.
Outrossim, sabemos que um filme sobre "Nosso Lar", obra psicografada por Chico, está em fase adiantada de gravação das cenas, com previsão de estar nos cinemas logo no início do ano.
Outra notícia importante acerca de Chico, é que o Ministério Público Federal (MPF) em Uberaba (MG) está tomando providências para a preservação do patrimônio pessoal deixado pelo médium Francisco Cândido Xavier.
Falecido em 2002, ele deixou vasta obra literária composta por mais de 400 livros psicografados, todos com renda direcionada a obras assistenciais. Dentre os poucos bens deixados pelo médium, alguns estão em um “museu” particular, localizado em Uberaba, município do Triângulo Mineiro.
A história da vida do médium, indicado ao Prêmio Nobel da Paz de 1981, também está guardada na denominada “Casa Chico Xavier”, na cidade de Pedro Leopoldo (MG), local onde ele residiu durante os anos de 1942 a 1959 e onde estão expostos várias fotos e objetos do médium.
De acordo com o Ministério Público Federal, o legado deixado por Chico Xavier faz parte do patrimônio cultural brasileiro e merece a proteção prevista em lei.
Nesta ação se conjugam esforços de várias entidades governamentais, como a Fundação Biblioteca Nacional - órgão responsável por catalografar e registrar obras literárias, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), orgão que deve analisar os bens pessoais deixados por Chico Xavier em Uberaba e Pedro Leopoldo, declarando-os de interesse público, e a Coordenadoria Geral de Bens Móveis e Integrados do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização (Depam), órgão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que realizará o inventário dos bens deixados por Chico Xavier.

Por fim, mas não menos importante, um aviso:
Já estamos preparados para aparecerem inúmeras pessoas se dizendo médiuns, que estariam trazendo a palavra de Chico desencarnado, opinando sobre este ou aquele assunto, inclusive sobre as homenagens á ele mesmo.
Quanto á isto, somente temos a dizer que Chico sempre foi humilde, tranquilo, confiante em Deus, trabalhador, honesto, etc. Ou seja, qualquer declaração reputada á ele, que não traga em si mesma fé no futuro, incentivo ao trabalho, confiança nos desígnios divinos, será mera especulação de quem, provavelmente, somente quer semear a discórdia entre nós. Existem pessoas neste plano, e no de lá, que teimam em tentar retardar a marcha do progresso, mas Chico, com certeza, jamais compactuará com isto.
Fiquemos em paz. Que Assim Seja.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Nossa Senhora Aparecida

Caros irmãos:

Hoje é dia de Nossa Senhora Aparecida.
E feriado Nacional, pois ela é considerada a Padroeira do Brasil.

Não queremos polemizar quanto á sua importância.
Conhecemos a sua veneração pelos católicos, e se não concordamos com seus excessos, perguntaríamos: quem pediu nossa opinião?
Devemos respeitar as religiosidades das demais pessoas, e parece que o ecumenismo é um caminho de entendimento melhor do que o sectarismo, a divisão.
Está no passado a época da perseguição religiosa, mesmo que alguns ainda teimem em fazê-la.

Não sejamos ingênuos: sabemos do papel da adoração de Maria na psique dos brasileiros, e reconhecemos que mesmo no Espiritismo ela se fez presente, através de Bezerra de Menezes, através de outros espíritas oriundos do catolicismo, através, por exemplo, da mediunidade de Ivonne Pereira, em “Memórias de Um Suicida”.
Conhecemos os argumentos dos Evangélicos e Pentecostais acerca de Maria não ser “medianeira” de Deus, não poder ser “mãe de Deus”, etc.
Baseados na fala de Jesus á Tomé, “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” João,XIV:6, e na 1ª Epístola de Paulo á Timóteo: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” 1ª Carta á Timóteo,II:5, se precisássemos, deveríamos dar razão á estes argumentos.
Sabemos, também, das teorias de Jung, e sua aplicação ao “complexo mãe” dos brasileiros, e ao considerarmos os mais de 100 nomes com que Nossa Senhora é denominada, somos capazes de entender a noção arquetípica da grande-mãe.

Mas não nos importamos com tudo isto.
Gostaríamos de lançar um olhar mais complacente á data, e perceber que, para demarcar sua posição, muitas designações religiosas que não concordam com o feriado de uma determinada religião, realizam a prática da caridade neste dia.
São mobilizações de diversas entidades na prática do bem, na prestação de serviço social.
E junto com entidades civis e pessoas preocupadas com os outros, aproveitam-se do Dia da Criança, uma data eminentemente comercial, para distribuírem brinquedos, alimentos, serviços.
Ontem mesmo, o IECIM-Peruíbe fez o esforço de cadastramento de famílias para cestas básicas de natal.
Ontem mesmo, e hoje, sabemos de ações nos bairros mais pobres, nas cidades vizinhas, no país inteiro, visando á prática do bem.
E perguntaríamos: para o assistido, interessam seriamente as convicções religiosas de quem o assiste?

Este parece um caso típico de “Deus escreve o certo por meio de linha tortas”, mas não cremos nisso: Deus escreve sempre o certo, nós é que somos míopes e não sabemos ler.
Vamos, portanto, neste dia, respeitar as convicções religiosas de quem as têm, a agradecer aos céus a ajuda enviada aos aflitos, fomentando o conceito que devia embasar nossa presença na Terra: “Fora da caridade não há salvação”
E que fiquem todos em paz, e com Jesus. Que Assim Seja!

sábado, 10 de outubro de 2009

Homenagem


Eis a foto de quem manda em nossa casinha de oração.
Ao lado dela, o nosso Presidente, Sr. Joaquim.

Queridos amigos:

Apesar de não sermos apegados ao personalismo, gostaríamos de pedir licença para estampar aqui a foto de um casal que nos serve de modelo, em nossa prática.
São Sr. Joaquim, Presidente da União Espírita de Peruíbe, e sua espôsa, nossa querida Maria, primeira dama, com toda a honra.
Aproveitamos para tecer alguns comentários.
Sabemos que existem no meio espírita, assim como em qualquer atividade humana, pessoas que "fazem carreira" elogiando em demasia, e se aproximando de quem tenha algum "status".
Não é o nosso caso. Sabemos que o chamado "status" de alguém, em Espiritismo, é sua ascendência moral, é seu trabalho, e se traduz em aumento da responsabilidade. "Muito será cobrado á quem muito for dado".

Sabemos, também, que não devemos fomentar o orgulho e a vaidade. Mas podemos deixar claro á quem queremos incentivar em sua prática: você (no caso, vocês) é (são) um modelo de trabalho para quem desejar trilhar o caminho da reforma íntima, o caminho reto da obra do Senhor.
É por isso que mostramos á todos vossa foto, para que saibam que todos nós os reconhecemos, e agradecemos vossos esforços, mormente quando nossa casinha mais carecia de trabalhadores e amparo.
Que aprendamos com pessoas deste quilate a lição do trabalho e da caridade.
E que tenhamos a disposição e a qualidade que vocês demonstram.
Que Assim Seja.

Em tempo: É claro que a mandatária manda também em casa.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ainda sobre a Parábola dos Trabalhadores da Vinha

Queridos irmãos:

Vamos retornar á Parábola dos Trabalhadores da Vinha, os trabalhadores da última hora, para comentar alguns aspectos que nos foram cobrados.

Os Espíritas, entre os quais nos incluímos, têm a interpretação de que os primeiros assalariados, logo ao nascer do dia, possam ter sido os Hebreus, á quem, através de Moisés, Deus teria “chamado” ao trabalho, lhes enviando o conceito de monoteísmo.

Os trabalhadores assalariados nas demais horas, poderiam, segundo essa interpretação, ser os profetas do povo hebreu, depois os apóstolos do Cristo, os formadores da Igreja Cristã nascente, e assim por diante.

E os últimos, os trabalhadores da última hora, então, seriam os Espíritas, convocados ao trabalho a partir da publicação de “O Livro dos Espíritos”.

Sem querer polemizar, cremos ser esta interpretação apenas mais uma, que não pode adquirir ares de verdade inconteste, haja vista alguns aspectos, que comentaremos a seguir.

Em primeiro lugar, as Parábolas são alegorias, não são para serem tomadas ao pé da letra, e têm caráter universalizante: não são dúbias, em seu aspecto moral, mas são suficientemente abertas em seu conteúdo para serem usadas amplamente no tempo e no espaço cultural de quem delas se aproxime.

Em segundo lugar, e vinculado ao primeiro aspecto mencionado, os trabalhadores da última hora recebiam seu pagamento perante os demais trabalhadores. Portanto, não poderiam ser os mesmos espíritos, e bem o sabemos no Espiritismo, muitos de nós que hoje nos esforçamos para nos manter trabalhando para o Senhor, já fomos convocados ao trabalho em outras épocas, e não demos continuidade á tarefa iniciada.

Assim é que a bondade divina nos concede sempre novas oportunidades, novos chamados, e esta verdade sofreria prejuízo em uma interpretação literal da parábola, haja vista que nós podemos ter feito parte do povo hebreu, á época de Moisés, ou convivido no tempo do Cristo, com os Apóstolos, etc.

Por fim, e sem querer ofender á ninguém, não concordamos com este entendimento de que com o Espiritismo a História está completa.

E se a última hora ainda não chegou?

Deus não “assalaria”, á cada novo dia, trabalhadores para a sua obra?

Porque com os Espíritas chegou o momento do pagamento?

Acaso isto não nos confere um certo ar de “eleitos”, que pode nos fazer adquirir uma certa “superioridade”, com relação á nossos irmãos de outras designações religiosas?

Para bem nem que fosse apenas da dúvida, se isto nos fizesse prestar mais atenção nas advertências de Kardec quanto ao orgulho e ao egoísmo, seria melhor que não propagassemos este tipo de interpretação entre nós, é o que pensamos.

Fiquemos todos em paz.

Que assim seja!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Ações do IECIM


Queridos Amigos:
Vamos mais uma vez, com imensa satisfação, cumprir nossa obrigação de apoiar as ações de nossa casa co-irmã, o IECIM-Peruíbe.
Por conta da campanha Natal com Jesus, haverá o cadastramento das famílias necessitadas, no dia 11/10/2009, PRÒXIMO DOMINGO, á partir das 9h00.
Nosso caro amigo Henrique distribuiu CONVITES nas casas de Peúíbe, e quem necessitar pode procurar o Caliman, na Casa do Caminho, ou o Joaquim, na União Espírita.
Ou mesmo comparecer na data, na Avenida Rio Branco, nº 88, na sede do IECIM.

O IECIM pede para colocarmos o número de sua conta bancária, caso as pessoas queiram colaborar com estas e outras ações: Banco Bradesco, Agência 2199 - Conta Poupança 021320-9. Favorecido: Instituto Espírita Cidadão do Mundo. CNPJ 03.260.188/0001-03.

Serão distribuídas 4.000 cestas básicas, no valor de aproximadamente R$ 50,00 cada, para as famílias cadastradas em Embu, Heliópolis e Peruíbe.
Em nossa cidade, a entrega se dará em 29/11.

Por fim, o IECIM convida á quem interessar, para seu jantar beneficiente, que se realizará em 17/11/2009, no Clube Hebráica, na Rua Hungria, nº 1000, Jardim Paulistano, na capital, cujo convite está sendo vendido á R$ 100,00, com todos os fundos arrecadados revertidos para as obras do IECIM.

Que haja sucesso nestas empreitadas. Que seja feita a caridade. E que o Mestre Jesus não nos abandone, hoje e sempre.
Que Assim Seja!

domingo, 4 de outubro de 2009

OS TRABALHADORES DA OBRA DO SENHOR (4)


Continuaremos nossa análise, comentando, agora, a chamada “Parábola dos Vinhateiros”.


Em Marcos, XII:1-9, Jesus promete que, se aqueles escolhidos para trabalharem na vinha (no caso em questão, os arrendatários), não se comportarem adequadamente (aqui, sacrificam até mesmo o filho do Senhor, numa clara alusão a ele mesmo, Jesus), o Senhor os destruirá, e arrendará a vinha á outros. (Idêntico em Lucas,XX:9-16)
Na parábola, os arrendatários não desejam prestar contas, têm notória ganância, desejo de lucrar para si o que lhes era concedido em empréstimo, por assim dizer.
Como trabalhadores da obra do Senhor, estamos isentos de nos apoderar de seus “lucros”, sejam materiais ou espirituais?
Devemos nos precaver de não tomar como nosso o que apenas nos foi concedido por misericórdia divina.

Passando ao Evangelho de Lucas, neste encontramos recomendações ao devotamento ao trabalho do Senhor:
“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.”Lucas,IX-23.
Há a evidente ênfase na constância do trabalho: “...a cada dia”.

E temos de o realizar, plenamente dedicados: “E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus.” Lucas, IX:62.

Dedicação plena e exclusiva:
“Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” Lucas, XVI:13.
Ou seja, na obra do bem, não podemos cultivar outros valores, que não os espirituais.
Em inúmeras outras passagens do Evangelho o Mestre deixou claro que, se o homem encontra no mundo o pagamento para seus trabalhos, então não é digno de receber outra recompensa, já teve seu pagamento!
Portanto, não podemos adentrar ao trabalho da obra do Senhor com avareza, ganância, injustiça, etc.

E vêm as exortações para considerarmos tudo isto mera obrigação:
“Porventura dá graças ao tal servo, porque fez o que lhe foi mandado? Creio que não. Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.” Lucas,XVII:9-10.

E ainda em Lucas, XIX:12-26, a “Parábola das Moedas de Ouro(minas)” repete os conceitos da “Parábola dos Talentos”: o que devolveremos á Deus, dos recursos colocados á nossa disposição para a prática do bem?

Já em João, XII:26, o Mestre nos exorta á segui-lo: “Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará.”
É óbvio que segui-lo significa seguir seus exemplos, e passamos a poder ser chamados de “seus servos”!

Conscientes de nossas limitações, sem presunção de sermos maiores até do que nosso Senhor: “Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou.” João, XII:16.

E num sublime exemplo de humildade, o Mestre lava os pés de seus Apóstolos, para, depois, concluir:
“O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.
Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.
Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.
Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.
Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.”

Que glória sublime sentir-se chamado pelo Cristo para sua obra!
Que felicidade imensa seria poder receber Dele este título: seu amigo!
Enquanto nos encontramos incapacitados para tal feito, comecemos aprendendo á bem o servir, através de suas próprias instruções, colhidas no Evangelho que Ele nos deixou.

Esperamos que estes apontamentos sejam úteis á quem queira trilhar este caminho.
E que Assim Seja!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

OS TRABALHADORES DA OBRA DO SENHOR (3)

Queridos irmãos:

Continuemos nossa digressão acerca dos trabalhadores da obra do Senhor.
Até este momento nos mantivemos na análise das passagens que utilizavam o termo “trabalhadores”. Agora, passamos áquelas com uso do termo “servo”, que utiliza o termo mais adequado ás relações de trabalho da época do Cristo.
Apesar de tentar fazer um estudo geral, procuraremos acompanhar uma seqüência lógica do Novo Testamento, para não confundir, ao invés de esclarecer.
Evitaremos, portanto, misturar muitas citações para não ficarmos obscuros.

“Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento á seu tempo?
Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim.
Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens.
Mas se aquele mau servo disser no seu coração: O meu senhor tarde virá;
E começar a espancar os seus conservos, e a comer e a beber com os ébrios,
Virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe,
E separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes.” Mateus, XXIV:45-51. (Semelhante em Marcos,XIII: 34-37)
O servo vigilante mantém as coisas organizadas, para não ser surpreendido com a chegada de seu Senhor. O invigilante, que não trata com igualdade seus irmãos, que chafurda nos erros, será surpreendido com a necessidade de prestação de contas, e será igualado aos hipócritas, segundo Jesus, recebendo a mesma punição que estes.
Aqui retorna a crítica ao ócio e ao emprego do tempo na prática do mal, item apenas subtendido na “Parábola da Vinha”.

Em continuação, o Mestre exemplifica os conceitos com a “Parábola dos Talentos”, Mateus, XXV:13-29, onde três servos recebem “talentos”, conforme sua “capacidade” (15), e devolvem ao seu Senhor, de acordo com seu trabalho. Um deles, conforme se sabe, enterra o talento, por medo de seu Senhor (25), e é admoestado por não ter usado do bem que lhe foi emprestado, e é advertido de que até o que pensamos ter, se não for por nós bem utilizado, nos será tirado.
É claro que o entendimento correto demonstra que o que temos pertence á Deus, é transitório, devemos fazer bom uso, senão nos será retirado, não por punição, mas por necessidade de aprendizagem.
O grande culpado de nossas mazelas somos nós mesmos, por nossa incúria.

Em Marcos, IX:35, entramos na recomendação da humildade aos trabalhadores da obra do Senhor.
Jesus dirige-se diretamente aos apóstolos, especialmente aos que pelo caminho vinham disputando que era o maior entre eles: “...chamou os doze, e disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.”
Percebamos que a lógica é repetida: os últimos/os primeiros; os maiores/os menores.
Ênfase permanente do Cristo na humildade. Impossível esquecer o Sermão da Montanha, e entender que as recomendações gerais de Jesus, se aplicam em particular aos que desejarem trabalhar em sua obra:“bem aventurados os mansos, os humildes, os pacíficos, os pacificadores, etc.

E Jesus dá o exemplo, como sempre:
“Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.”Marcos,X:45.

Na próxima postagem continuaremos.
Pedimos antecipadas desculpas por nos alongar, mas consideramos o assunto deveras interessante.
Fiquem todos em paz, e na companhia de Jesus.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

OS TRABALHADORES DA OBRA DO SENHOR (2)

Caríssimos irmãos:

Continuemos nossa reflexão iniciada na postagem de ontem:

Começemos a interpretação deste texto pelo fim: muitos são os chamados, poucos os escolhidos. Esta mesma advertência se encontra no final da “Parábola da Festa das Núpcias”, Mateus, XXII:1-14.
Porque muitos dos chamados não se capacitam á serem escolhidos?
Por que não basta se dizer cristão, é preciso fazer a vontade do Pai, vestir a veste nupcial, ser digno.
Vejam que na parábola, o contratante se compromete a pagar o “justo”.(4 e 7)
Também se apraz a dar aos que chegaram por último, o mesmo que aos primeiros. Conforme Deus , segundo Jesus, fará por nós.
Por que em nossa vida, ou melhor, em nossas diversas vidas, inúmeras vezes recebemos o chamado para trabalhar na obra do Senhor.
Ás vezes esse chamado vêm por doença, ou falecimento de familiar, ou evento financeiro, ou de trabalho, etc.
É Jesus “batendo em nossa porta” para nos acordar para as realidades superiores.
E o que fazemos, então?
Normalmente, saímos de nossas cogitações corriqueiras e atendemos ao seu chamado. Mas, normalmente, também, não mantemos nossa constância: esquecemos rapidamente o que nos levou á casa de caridade, e voltamos para aquilo que conceituamos como “mundo real”.
Na verdade, usamos do convívio com pessoas que se aplicam á vida religiosa, para “sobreviver” ao momento de sofrimento, e depois nos esquecemos daquilo.
Então, não atendemos verdadeiramente ao chamado, não podemos ser escolhidos!

Outra questão é: o que estavam á fazer os que foram contratados por último?
Apesar de ociosos, eles não desistiram de esperar a sua contratação.
Não há referência de que estivessem na prática do mal ou delinquindo, por exemplo.
Somente não estavam á trabalho, porque ninguém os assalariou.(7)
Prontamente se colocaram á disposição para o trabalho, desejando receber “o justo”.
Quantas vezes trabalhamos deixando á encargo do contratante pagar “o justo”?
Normalmente, temos em alta conta o que fazemos, e o contrário para o que os outros fazem.
Há muitos trabalhadores que se prontificam á trabalhar, mas têm em mente o uso da palavra, a função de dirigente, a doutrinação ou o cargo elevado.
Se olhássemos para o lado veríamos que em qualquer lugar há trabalho: a manutenção da limpeza, o transporte de algum objeto, o apoio á um irmão em sua ocupação.
Mas estes trabalhos de humildade escandalizam áqueles que se consideram “nobres” demais para tal desiderato!
Os primeiros consideraram receber mais, porque não imaginaram as agruras dos últimos, á espera de alguém que os assalariasse, e podendo retornar ao lar sem trabalho e sem pagamento.(10)
Receberam o que estava contratado, o justo, e mesmo assim murmuraram. Tiveram o “olho mal”, a inveja, o egoísmo.(11-13)
Mas o divino Mestre, através da figura do assalariador, nos dá um ensinamento sublime: este se mantém firme, apesar dos murmúrios. E pergunta: preciso mudar meus princípios, porque minha bondade te incomoda?(15)
Assim é que bastas vezes nos deparamos com o fel, mesmo em uma atividade voltada para o bem, porque diversas pessoas não tem “o olho tão bom” como o nosso naquele assunto. Devemos, então, nos piorar, por causa disso? Ou devemos manter nossos princípios e boas intenções?
Não é necessário repetir o que o Mestre nos apregoa!
Deus se compromete, através dessa parábola, a nos conceder o pagamento justo, seja em que hora atendermos seu chamado, desde que não tenhamos más intenções, desde que trabalhemos com afinco, desde que nos dediquemos e confiemos em sua justeza..

Amanhã continuaremos o tema, que Deus nos abençoe.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

OS TRABALHADORES DA OBRA DO SENHOR (1)


Queridos amigos:
Que a paz esteja com todos!

Vamos iniciar mais uma série de postagens sobre um tema determinado.
Dessa vez vamos analisar as recomendações do Cristo á quem queira trabalhar em sua obra. Pautaremos nossa análise no que seja útil aos trabalhadores espíritas, o que não impede seja considerada útil, por analogia, á quem queira trabalhar na obra do Senhor, seja qual designação religiosa tiver.
Alertamos para o fato de que o linguajar da época do Cristo estava relacionado ás relações de trabalho existentes, o que faz as recomendações do Mestre empregarem quase sempre as palavras “servo”, “senhor”, “rei”, etc. Somente em Mateus, encontramos a palavra “trabalhadores” (os da última hora, os da vinha ).
Por conta disso, nos deteremos nas recomendações do Novo Testamento, e usaremos as marcações tradicionais, para quem quiser se aprofundar no tema.
Que o Mestre nos inspire e nos ampare, hoje e sempre!

Iniciemos postando a parábola dos trabalhadores da última hora, esperamos que todos reflitam acerca desta, e amanhã iniciaremos nossa própria reflexão:

Mateus, Capítulo 20:
1 Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha.
2 E, ajustando com os trabalhadores a um dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha.
3 E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça,
4 E disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.
5 Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo.
6 E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos, e perguntou-lhes: Por que estais ociosos todo o dia?
7 Disseram-lhe eles: Porque ninguém nos assalariou. Diz-lhes ele: Ide vós também para a vinha, e recebereis o que for justo.
8 E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando pelos derradeiros, até aos primeiros.
9 E, chegando os que tinham ido perto da hora undécima, receberam um dinheiro cada um.
10 Vindo, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um dinheiro cada um.
11 E, recebendo-o, murmuravam contra o pai de família,
12 Dizendo: Estes derradeiros trabalharam só uma hora, e tu os igualaste conosco, que suportamos a fadiga e a calma do dia.
13 Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço agravo; não ajustaste tu comigo um dinheiro?
14 Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti.
15 Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?
16 Assim os últimos serão os primeiros, e os primeiros os últimos; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.

Fiquem em paz, e até amanhã.
P.S. Tivemos um problema, do qual pedimos desculpas, e por algum tempo o texto saiu em duplicidade, sem a parábola. Obrigado á quem atenciosamente nos alertou.