sexta-feira, 2 de outubro de 2009

OS TRABALHADORES DA OBRA DO SENHOR (3)

Queridos irmãos:

Continuemos nossa digressão acerca dos trabalhadores da obra do Senhor.
Até este momento nos mantivemos na análise das passagens que utilizavam o termo “trabalhadores”. Agora, passamos áquelas com uso do termo “servo”, que utiliza o termo mais adequado ás relações de trabalho da época do Cristo.
Apesar de tentar fazer um estudo geral, procuraremos acompanhar uma seqüência lógica do Novo Testamento, para não confundir, ao invés de esclarecer.
Evitaremos, portanto, misturar muitas citações para não ficarmos obscuros.

“Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento á seu tempo?
Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim.
Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens.
Mas se aquele mau servo disser no seu coração: O meu senhor tarde virá;
E começar a espancar os seus conservos, e a comer e a beber com os ébrios,
Virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe,
E separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes.” Mateus, XXIV:45-51. (Semelhante em Marcos,XIII: 34-37)
O servo vigilante mantém as coisas organizadas, para não ser surpreendido com a chegada de seu Senhor. O invigilante, que não trata com igualdade seus irmãos, que chafurda nos erros, será surpreendido com a necessidade de prestação de contas, e será igualado aos hipócritas, segundo Jesus, recebendo a mesma punição que estes.
Aqui retorna a crítica ao ócio e ao emprego do tempo na prática do mal, item apenas subtendido na “Parábola da Vinha”.

Em continuação, o Mestre exemplifica os conceitos com a “Parábola dos Talentos”, Mateus, XXV:13-29, onde três servos recebem “talentos”, conforme sua “capacidade” (15), e devolvem ao seu Senhor, de acordo com seu trabalho. Um deles, conforme se sabe, enterra o talento, por medo de seu Senhor (25), e é admoestado por não ter usado do bem que lhe foi emprestado, e é advertido de que até o que pensamos ter, se não for por nós bem utilizado, nos será tirado.
É claro que o entendimento correto demonstra que o que temos pertence á Deus, é transitório, devemos fazer bom uso, senão nos será retirado, não por punição, mas por necessidade de aprendizagem.
O grande culpado de nossas mazelas somos nós mesmos, por nossa incúria.

Em Marcos, IX:35, entramos na recomendação da humildade aos trabalhadores da obra do Senhor.
Jesus dirige-se diretamente aos apóstolos, especialmente aos que pelo caminho vinham disputando que era o maior entre eles: “...chamou os doze, e disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.”
Percebamos que a lógica é repetida: os últimos/os primeiros; os maiores/os menores.
Ênfase permanente do Cristo na humildade. Impossível esquecer o Sermão da Montanha, e entender que as recomendações gerais de Jesus, se aplicam em particular aos que desejarem trabalhar em sua obra:“bem aventurados os mansos, os humildes, os pacíficos, os pacificadores, etc.

E Jesus dá o exemplo, como sempre:
“Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.”Marcos,X:45.

Na próxima postagem continuaremos.
Pedimos antecipadas desculpas por nos alongar, mas consideramos o assunto deveras interessante.
Fiquem todos em paz, e na companhia de Jesus.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

OS TRABALHADORES DA OBRA DO SENHOR (2)

Caríssimos irmãos:

Continuemos nossa reflexão iniciada na postagem de ontem:

Começemos a interpretação deste texto pelo fim: muitos são os chamados, poucos os escolhidos. Esta mesma advertência se encontra no final da “Parábola da Festa das Núpcias”, Mateus, XXII:1-14.
Porque muitos dos chamados não se capacitam á serem escolhidos?
Por que não basta se dizer cristão, é preciso fazer a vontade do Pai, vestir a veste nupcial, ser digno.
Vejam que na parábola, o contratante se compromete a pagar o “justo”.(4 e 7)
Também se apraz a dar aos que chegaram por último, o mesmo que aos primeiros. Conforme Deus , segundo Jesus, fará por nós.
Por que em nossa vida, ou melhor, em nossas diversas vidas, inúmeras vezes recebemos o chamado para trabalhar na obra do Senhor.
Ás vezes esse chamado vêm por doença, ou falecimento de familiar, ou evento financeiro, ou de trabalho, etc.
É Jesus “batendo em nossa porta” para nos acordar para as realidades superiores.
E o que fazemos, então?
Normalmente, saímos de nossas cogitações corriqueiras e atendemos ao seu chamado. Mas, normalmente, também, não mantemos nossa constância: esquecemos rapidamente o que nos levou á casa de caridade, e voltamos para aquilo que conceituamos como “mundo real”.
Na verdade, usamos do convívio com pessoas que se aplicam á vida religiosa, para “sobreviver” ao momento de sofrimento, e depois nos esquecemos daquilo.
Então, não atendemos verdadeiramente ao chamado, não podemos ser escolhidos!

Outra questão é: o que estavam á fazer os que foram contratados por último?
Apesar de ociosos, eles não desistiram de esperar a sua contratação.
Não há referência de que estivessem na prática do mal ou delinquindo, por exemplo.
Somente não estavam á trabalho, porque ninguém os assalariou.(7)
Prontamente se colocaram á disposição para o trabalho, desejando receber “o justo”.
Quantas vezes trabalhamos deixando á encargo do contratante pagar “o justo”?
Normalmente, temos em alta conta o que fazemos, e o contrário para o que os outros fazem.
Há muitos trabalhadores que se prontificam á trabalhar, mas têm em mente o uso da palavra, a função de dirigente, a doutrinação ou o cargo elevado.
Se olhássemos para o lado veríamos que em qualquer lugar há trabalho: a manutenção da limpeza, o transporte de algum objeto, o apoio á um irmão em sua ocupação.
Mas estes trabalhos de humildade escandalizam áqueles que se consideram “nobres” demais para tal desiderato!
Os primeiros consideraram receber mais, porque não imaginaram as agruras dos últimos, á espera de alguém que os assalariasse, e podendo retornar ao lar sem trabalho e sem pagamento.(10)
Receberam o que estava contratado, o justo, e mesmo assim murmuraram. Tiveram o “olho mal”, a inveja, o egoísmo.(11-13)
Mas o divino Mestre, através da figura do assalariador, nos dá um ensinamento sublime: este se mantém firme, apesar dos murmúrios. E pergunta: preciso mudar meus princípios, porque minha bondade te incomoda?(15)
Assim é que bastas vezes nos deparamos com o fel, mesmo em uma atividade voltada para o bem, porque diversas pessoas não tem “o olho tão bom” como o nosso naquele assunto. Devemos, então, nos piorar, por causa disso? Ou devemos manter nossos princípios e boas intenções?
Não é necessário repetir o que o Mestre nos apregoa!
Deus se compromete, através dessa parábola, a nos conceder o pagamento justo, seja em que hora atendermos seu chamado, desde que não tenhamos más intenções, desde que trabalhemos com afinco, desde que nos dediquemos e confiemos em sua justeza..

Amanhã continuaremos o tema, que Deus nos abençoe.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

OS TRABALHADORES DA OBRA DO SENHOR (1)


Queridos amigos:
Que a paz esteja com todos!

Vamos iniciar mais uma série de postagens sobre um tema determinado.
Dessa vez vamos analisar as recomendações do Cristo á quem queira trabalhar em sua obra. Pautaremos nossa análise no que seja útil aos trabalhadores espíritas, o que não impede seja considerada útil, por analogia, á quem queira trabalhar na obra do Senhor, seja qual designação religiosa tiver.
Alertamos para o fato de que o linguajar da época do Cristo estava relacionado ás relações de trabalho existentes, o que faz as recomendações do Mestre empregarem quase sempre as palavras “servo”, “senhor”, “rei”, etc. Somente em Mateus, encontramos a palavra “trabalhadores” (os da última hora, os da vinha ).
Por conta disso, nos deteremos nas recomendações do Novo Testamento, e usaremos as marcações tradicionais, para quem quiser se aprofundar no tema.
Que o Mestre nos inspire e nos ampare, hoje e sempre!

Iniciemos postando a parábola dos trabalhadores da última hora, esperamos que todos reflitam acerca desta, e amanhã iniciaremos nossa própria reflexão:

Mateus, Capítulo 20:
1 Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha.
2 E, ajustando com os trabalhadores a um dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha.
3 E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça,
4 E disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.
5 Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo.
6 E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos, e perguntou-lhes: Por que estais ociosos todo o dia?
7 Disseram-lhe eles: Porque ninguém nos assalariou. Diz-lhes ele: Ide vós também para a vinha, e recebereis o que for justo.
8 E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando pelos derradeiros, até aos primeiros.
9 E, chegando os que tinham ido perto da hora undécima, receberam um dinheiro cada um.
10 Vindo, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um dinheiro cada um.
11 E, recebendo-o, murmuravam contra o pai de família,
12 Dizendo: Estes derradeiros trabalharam só uma hora, e tu os igualaste conosco, que suportamos a fadiga e a calma do dia.
13 Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço agravo; não ajustaste tu comigo um dinheiro?
14 Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti.
15 Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?
16 Assim os últimos serão os primeiros, e os primeiros os últimos; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.

Fiquem em paz, e até amanhã.
P.S. Tivemos um problema, do qual pedimos desculpas, e por algum tempo o texto saiu em duplicidade, sem a parábola. Obrigado á quem atenciosamente nos alertou.