sábado, 12 de setembro de 2009

Felicidade Interna Bruta

Recentemente voltou á tona um assunto acerca do conceito de “felicidade interna bruta”. Este conceito foi introduzido no pequeno país asiático chamado Butão, por seu rei, em 1972, e busca estabelecer parâmetros diferentes para medir o enriquecimento de um país: ao invés de basear-se apenas no crescimento econômico, como é o caso do Produto Interno Bruto, passou-se a medir também a melhoria da vida em função dos preceitos budistas, religião oficial do país.
“Enquanto os modelos tradicionais de desenvolvimento têm como objetivo primordial o crescimento económico, o conceito de FIB baseia-se no princípio de que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade humana surge quando o desenvolvimento espiritual e o desenvolvimento material são simultâneos, assim se complementando e reforçando mutuamente. Os quatro pilares da FIB são a promoção de um desenvolvimento sócio-econômico sustentável e igualitário, a preservação e a promoção dos valores culturais, a conservação do meio-ambiente natural e o estabelecimento de uma boa governança.” (Wikipédia)
Não queremos aqui fazer análise política, nem propaganda ideológica de um Rei e um reinado do qual não temos suficientes informações para opinar.
Mas o aproveitamento do conceito nos ocorreu no momento de prestar contas de nosso trabalho na compra e venda de livros para arrecadação de fundos para nossa casinha.
Explicando: para fazer frente ás necessidades materiais de nossa casinha de oração, criamos e administramos um fundo para compra e revenda de livros, que prestou contas de seu desempenho até 31/08/2009.
Tivemos lucro financeiro nas operações: compramos 03 lotes de livros, vendemos 130 livros, pagamos os nossos fornecedores, restou pequeno lucro, devidamente registrado e a disposição dos membros da casa, e ainda incorporamos 27 livros ao nosso estoque, para venda a posteriori.
Mas, é só isso?
É claro que não é só isso!
Tivemos a grata surpresa de incrementar a leitura nossa e de nossos frequentadores muito mais do que imaginávamos.
Além do aumento da leitura, ele se deu em livros eminentemente doutrinários, com uma venda de livros de Kardec que nos surpreendeu á todos.
Não temos preconceito contra os autores mais populares do espiritismo, mas nossa intenção não era vender á qualquer preço, com o perdão do trocadilho, mas sim qualificar nossos frequentadores, e para isso era necessário oferecer qualidade literária.
Também não majoramos o preço, visando ter muito lucro: o incremento da leitura já é lucro!
Neste momento, vemos as pessoas mais interessadas em estudar, mais felizes por encontrar respostas ás suas indagações, interessadas em presentear aos conhecidos com obras espíritas.
E um efeito colateral inesperado ocorreu: os livros começam á retornar, depois de lidos, como doação para nossa biblioteca, que conta com mais de 200 títulos de obras espíritas, para serem ofertadas á quem desejar ler, sem custo algum.
Ou seja, os compradores de livros já ajudaram a casa, e agora continuam prestando o serviço de caridade ao nos proporcionar realizar o empréstimo dos livros pelos quais pagaram!
É muita felicidade interna bruta!
Esperamos com este texto agradecer á esses irmãos, e incentivar as casas espíritas a realizar este tipo de projeto. Dá muito trabalho, mas como é evidente, muita satisfação também.
Fiquem todos com Deus. Assim Seja.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O Espiritismo e a Ciência


Queridos amigos:


Ao emitirmos pontos de vista específicos de nossos grupos de estudo, não queremos com isso lançar polêmicas estéreis.

Não é necessário fazer confusão porque categorizamos o Espiritismo como uma Ciência: sabemos da rejeição que os cientistas têm para conosco.

Poderíamos dar a explicação simplista para isso: os cientistas cuidam da ciência "material", nós, os espíritas, cuidamos da ciência "espiritual".

Na verdade, não acreditamos nisso.

Sabemos que o Espiritismo está profundamente marcado pelo pensamento racionalista, determinista e evolucionista do Séc. XIX.

Sabemos, também, que apesar da necessidade de progressão em seus postulados, alguns espíritas fundaram uma certa "ortodoxia" kardecista, 'congelando" as verdades, o que contraria profundamente os postulados do próprio Kardec.

Não estamos desatentos ás mudanças de paradigmas da Ciência do Século XX, nem desconhecemos a demarcação territorial que a ciência oficial fez entre o campo epstemológico da religião e o próprio.

Mas entendemos que todas essas criações são dados culturais de um momento.

Pode ser artigo de fé, mas consideramos que se a Verdade existe, ela é uma só. Não pode ser uma aqui e outra acolá. Também não pode ser menos verdadeira em suas partes constituintes.

Outra vez afirmamos saber os excessos que o Espiritismo comete em nome do raciocínio lógico, já que não consegue provar experimentalmente suas teses.

Mas utilizaremos mais uma vez da lógica, não para convencer quem não deseja ser convencido, mas para embasar nossa tranquilidade na análise do problema;

Se a Verdade é uma só, não adianta estarmos com ela ou fora dela. Ela vai se impor do mesmo jeito.

Podemos fazer uma piada, muito sem graça especialmente para os ateus, de que, se a Verdade estiver conosco, ele descobrirá. Mas se estiver com ele, nunca saberemos.

Foi a Ciência quem teve de sair do mecanicismo, estabelecer o relativismo em seus conceitos, aceitar os paradoxos da Mecânica Quântica, falar mais em probabilidades e menos em certezas.

Foi a Ciência quem, após tentar perseguir o Espiritismo com a Parapsicologia durante todo o Séc. XX, iniciou o processo de construção de "novas pontes" entre as áreas do científico e do religioso.

É claro que isto não confere validade imediata ás verdades propaladas pelo Espiritismo, isto é assunto interno nosso, nossa obrigação, que muitos, inclusive, se recusam a fazer, por desejarem uma "revelação" beatífica e permanente.

Mas este processo mostra que não precisamos nos portar como se estivessemos em mais uma "guerra santa", como muitas já as houve, e com os resultados sobejamente conhecidos.

Não há preconceitos, nem pré-conceitos, que façam o conhecimento estagnar.

No máximo, retarda-se o acesso á este.

E o avanço científico cedo ou tarde comprovará ou rejeitará definitivamente os postulados espíritas.

Cremos ainda estar muito longe deste momento, mas caminhando seguramente para ele.

Para onde a balança penderá? Isto já é artigo de fé.


Que todos tenham paz.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Afinal, o que é o Espiritismo?

Queridos amigos;

Devido á categorização de que o Espiritismo não é a verdadeira religião, uma pergunta se impõe:
o que é, então, o Espiritismo?
Vamos aproveitar a insuspeita resposta do insígne codificador para iniciar nossa exposição:
"O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal"( O que é o Espiritismo, Preâmbulo.)
E completa: "O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma Ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como Ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; Como Filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações."
Então o Espiritismo não é religião?
Mais uma vez pedimos desculpas se esse espaço é de divulgação, muito mais do que de defesa de alguma tese.
Por ser de divulgação, busca uma linguagem simples, que alcançe o maior número possível de pessoas. Por isso mesmo, peca pelo reducionismo, inúmeras vezes.
Em outras palavras: visamos muito mais esclarecer os que já têm simpatia pelo Espiritismo, do que criar novos adeptos.
Visamos muito mais explicar com simplicidade, do que sermos doutos.
É para estes que afirmamos: o Espiritismo é uma "teoria do todo".
O Espiritismo é, ao mesmo tempo, Ciência, Filosofia e Religião.
Tenta, ao seu modo, explicar toda a realidade, a partir da constatação da existência do mundo espiritual, e da permanente comunicação deste com o mundo material, em que nos encontramos momentâneamente encarnados.
É Ciência porque baseia-se na observação, na formulação de teses, no acompanhamento experimental. É Ciência, ainda, porque é dinâmico, não dogmático, aberto aos avanços tecnológicos, que referem-se a própria evolução material.
É Filosofia porque tenta inferir relações entre o mundo material e as leis morais, tenta explicar, como já o dissemos, o todo, subtrair leis permanentes deste todo, entender o papel do Homem no mundo, encontrar decorrências éticas, estabelecer princípios fundamentais.
E é Religião, mesmo contra a vontade de muitos, porque reestabelece o Cristianismo primitivo, retirando-lhe os acréscimos efetuados pelos homens, ao longo dos milênios, demonstrando a superioridade da moral do Cristo, sua base racional, suas decorrências filosóficas.
É religião, ainda, porque reconhece á Deus, prega a caridade, fomenta a reforma íntima, vê á todos como irmãos.

Se esta opinião não agradar á todos, sentimos muito: nem o pretendemos.
Mas solicitamos á quem queira, reflexão e, principalmente, tolerância para com a nossa defesa apaixonada do Espiritismo.
Não se esqueçam em nenhum momento que somos adeptos desta doutrina maravilhosa, e que este espaço pede coragem em sua defesa, o que não recusamos fazer.
Fiquem todos em paz. Que Assim Seja!