quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Buscai e Achareis (2)

Queridos Irmãos:

“Não queirais entesourar para vós tesouros na Terra, onde a ferrugem e a traça os consomem, e onde os ladrões os desenterram e roubam. Mas entesourai para vós tesouros no céu, onde não os consomem a ferrugem nem a traça, e onde os ladrões não o desenterram nem roubam. Porque onde está o tesouro, aí está também o teu coração.
Portanto vos digo: Não andeis cuidadosos da vossa vida, que comereis, nem para o vosso corpo, que vestireis. Não é mais a alma do que a comida, e o corpo mais do que o vestido? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem fazem provimentos nos celeiros; e, contudo, vosso Pai celestial as sustenta. Porventura não sois muito mais do que elas? E qual de vós, discorrendo, pode acrescentar um côvado à sua estatura? E por que andais vós solícitos pelo vestido? Considerai como crescem os lírios do campo; eles não trabalham nem fiam; digo-vos mais, que nem Salomão, em toda a sua glória, se cobriu jamais como um destes. Pois se ao feno do campo, que hoje é e amanhã é lançado no forno, Deus veste assim, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Não vos aflijais, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos cobriremos? Porque os gentios é que se cansam por estas coisas. Porquanto vosso Pai sabe que tendes necessidade de todas elas. Buscai primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas se vos acrescentarão. E assim não andeis inquietos pelo dia de amanhã. Porque o dia de amanhã a si mesmo trará seu cuidado; ao dia basta a sua própria aflição.” (Mateus, V:19-21, 25-34).


A primeira parte desta passagem parece consagrar o sentido da inação. E assim foi interpretada ao longo dos séculos, por aqueles que se isolavam do mundo em contemplação ou jejum e oração permanentes.

Também foi usada como argumento de que de nada precisamos, a não ser orar e se consagrar ao Pai: as coisas materiais são desimportantes.
Entretanto, as coisas materiais têm sua importância, e necessitamos delas para a manutenção da vida: “vosso Pai sabe que tendes necessidade de todas elas.”
O que o Cristo advertiu não foi que não as buscássemos, mas sim, que não tornássemos esta busca uma obsessão.
Mais uma vez seu ensinamento foi para que déssemos o devido valor ás coisas materiais, valor este subordinado ao valor das coisas espirituais.
“Buscai primeiramente o Reino de Deus e sua justiça, e todas estas coisas se vos acrescentarão.”
Qual é a justiça que devemos procurar?
A justiça que os espíritos nos ensinam existir na Lei de justiça, amor e caridade.
Precisamos aprender á distinguir o essencial e o supérfluo.
Precisamos olhar para o lado e ver as necessidades de nossos irmãos.
Se não podemos, como Francisco de Assis, doar a única túnica que possuímos ao nosso irmão com frio, que saibamos pelo menos doar o supérfluo, aquilo de que não temos necessidade real.

E mais que isso, temos que aprender á não sofrer em demasia com as questões da administração de nosso cotidiano.
A cada dia basta seu mal, e o excesso de sofrimento, o quê resolve?
Se a angústia, o desespero, a depressão, etc., resolvessem os problemas, então os da maioria das pessoas estariam automaticamente resolvidos, haja vista que esta é a atitude da maioria da humanidade.

“Não vos inquieteis pelo ouro”, nos diz o Mestre.
“Confiai no Pai”, é sua mensagem.
Buscai as soluções para os problemas, mas convicto de que jamais o Pai lhe abandonou, e somente passará por provas de que tens merecimento.
Provas que serão atenuadas com a resignação e a aceitação das mesmas, e não com a rebeldia e a aflição.
Creias na justiça divina, infalível, por sinal, e peças á Deus capacidade de carregar vossa cruz, e o socorro já está a caminho, por meios que não dominamos e na maioria das vezes nem compreendemos.

Que Deus nos fortaleça. Assim Seja!

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