Continuaremos nossa análise, comentando, agora, a chamada “Parábola dos Vinhateiros”.
Em Marcos, XII:1-9, Jesus promete que, se aqueles escolhidos para trabalharem na vinha (no caso em questão, os arrendatários), não se comportarem adequadamente (aqui, sacrificam até mesmo o filho do Senhor, numa clara alusão a ele mesmo, Jesus), o Senhor os destruirá, e arrendará a vinha á outros. (Idêntico em Lucas,XX:9-16)
Na parábola, os arrendatários não desejam prestar contas, têm notória ganância, desejo de lucrar para si o que lhes era concedido em empréstimo, por assim dizer.
Como trabalhadores da obra do Senhor, estamos isentos de nos apoderar de seus “lucros”, sejam materiais ou espirituais?
Devemos nos precaver de não tomar como nosso o que apenas nos foi concedido por misericórdia divina.
Passando ao Evangelho de Lucas, neste encontramos recomendações ao devotamento ao trabalho do Senhor:
“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.”Lucas,IX-23.
Há a evidente ênfase na constância do trabalho: “...a cada dia”.
E temos de o realizar, plenamente dedicados: “E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus.” Lucas, IX:62.
Dedicação plena e exclusiva:
“Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” Lucas, XVI:13.
Ou seja, na obra do bem, não podemos cultivar outros valores, que não os espirituais.
Em inúmeras outras passagens do Evangelho o Mestre deixou claro que, se o homem encontra no mundo o pagamento para seus trabalhos, então não é digno de receber outra recompensa, já teve seu pagamento!
Portanto, não podemos adentrar ao trabalho da obra do Senhor com avareza, ganância, injustiça, etc.
E vêm as exortações para considerarmos tudo isto mera obrigação:
“Porventura dá graças ao tal servo, porque fez o que lhe foi mandado? Creio que não. Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.” Lucas,XVII:9-10.
E ainda em Lucas, XIX:12-26, a “Parábola das Moedas de Ouro(minas)” repete os conceitos da “Parábola dos Talentos”: o que devolveremos á Deus, dos recursos colocados á nossa disposição para a prática do bem?
Já em João, XII:26, o Mestre nos exorta á segui-lo: “Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará.”
É óbvio que segui-lo significa seguir seus exemplos, e passamos a poder ser chamados de “seus servos”!
Conscientes de nossas limitações, sem presunção de sermos maiores até do que nosso Senhor: “Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou.” João, XII:16.
E num sublime exemplo de humildade, o Mestre lava os pés de seus Apóstolos, para, depois, concluir:
“O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.
Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.
Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.
Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.
Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.”
Que glória sublime sentir-se chamado pelo Cristo para sua obra!
Que felicidade imensa seria poder receber Dele este título: seu amigo!
Enquanto nos encontramos incapacitados para tal feito, comecemos aprendendo á bem o servir, através de suas próprias instruções, colhidas no Evangelho que Ele nos deixou.
Esperamos que estes apontamentos sejam úteis á quem queira trilhar este caminho.
E que Assim Seja!
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