sábado, 26 de setembro de 2009

Reflexões Acerca da Palavra (3)


Queridos amigos:

Vamos efetuar alguns apontamentos importantes, á título de conclusão deste tema.
Em primeiro lugar, gostaríamos de considerar que o corolário de tudo o que foi dito acerca do saber falar, é o saber ouvir.
De fato, além de doutrinar a palavra, precisamos doutrinar o ouvido.
Quando se acercam de nós aquelas pessoas que trazem a maledicência, a maldade, a fofoca, o que fazemos?
Quebramos a cadeia da maldade, ou embarcamos nela?
Sabemos aconselhar, ajudar a apagar os incêndios, ou ateamos mais fogo aos processos consumidores das boas energias?
Que desenvolvamos a capacidade de ouvir com boas intenções, é uma tarefa que se faz necessária.

De outro lado, sabemos que não somos perfeitos.
Mesmo assim, quando alguém nos informa de um de nossos defeitos, ao invés de fazermos a reflexão necessária quanto às nossas posturas, preferimos o caminho da mágoa, do rancor, da desclassificação do sujeito que nos acusa.
E alocamos mais energia para sofrer, quanto mais próximos forem os acusadores!
Ou seja, se forem familiares ou amigos muito próximos, aí é que nos magoamos de verdade.
Onde o perdão, onde o carinho e a reflexão?
E se a pessoa que nos informa de um erro, está com a melhor das intenções?
Como nos educar, se não sabemos ouvir um comentário que nos desagrade?
Isto tudo é manifestação inequívoca do quanto ainda somos orgulhosos.

Por fim, mas não menos importante, gostaríamos de falar em particular com as pessoas do meio espírita.
Em várias oportunidades de nosso trabalho, podemos exercer o saber falar e o saber ouvir.
Nem precisaríamos chamar atenção quanto ao uso da palavra construtiva em nossas falas dentro da casa espírita.
Não só na tarefa de doutrinação, ou dentro dos cursos de evangelização, especialmente com as crianças, mas no cotidiano de nossas relações, deve ser o nosso falar “sim, sim; não, não”, como advertiu o Cristo.
Gentileza, educação, simplicidade, harmonia, caridade.
Nossa palavra, num recinto em que transborda o amor, deveria ser eivada de boas intenções, o mais perto da pureza que se conseguir.
Alegre, mas atenta às regras do educar.
Mesmo quando precisarmos apontar um erro, que aprendamos a fazê-lo com carinho e respeito pelo irmão menos afortunado.
Façamos pelo outro como gostaríamos que se nos fizessem.

E quanto ao ouvir, um capítulo a parte em nosso aprendizado.
Numa reunião de desobsessão, por exemplo, podemos ouvir as histórias mais ou menos escabrosas trazidas pelos desencarnados que vêm até os trabalhos.
Podermos sair dali contando indiscriminadamente o que ouvimos em serviço?
É claro que não!
Na verdade, no próprio ato dos trabalhos, não precisamos ficar nos afixando aos detalhes das histórias particulares, e se o fazemos, deveria ser apenas com o intuito de auxiliar melhor, não para ficar colecionando casos, por mera curiosidade.
Os médiuns da corrente de sustentação, bem como os que estão dando passagem a algum sofredor, deveriam, sempre, se preocupar mais com a oração, que garante a continuidade da corrente, do que com casos particulares.

E esse mesmo procedimento se aplica ao dia a dia da casa espírita.
Quantos irmãos nos procuram com seus problemas particulares!
Aqui são desajustes de conduta, ali são viciações importantes, acolá erros perante provações, sofrimentos, arrependimentos, etc.,
Precisamos aprender a tudo olhar com o maior interesse em auxiliar, com o maior interesse em aprender com os erros dos outros, mas sem intenção de perpetuar a cadeia de erros.
Devemos ser parte da solução, não parte dos problemas.

E para terminar essas cogitações, vamos chamar atenção para uma conduta que infelizmente está disseminada em nosso meio: o melindre, que outra coisa não é que orgulho ferido.
Os médiuns não estão isentos dos processos obsessivos.
Mas vá falar para um médium, especialmente os mais experimentados, que ele pode estar apresentando sintomas do assédio das forças do mal!
Existe todo um acervo de posturas contrárias que em nada facilitam os trabalhos: o médium se fecha, ou se revolta, ou se vitimiza, ou desclassifica o observador, não raro se afasta dos trabalhos, critica os métodos da casa ou dos responsáveis pela observação, etc.
Onde o saber ouvir? Onde a reflexão sobre a prática mediúnica?
O máximo que uma pessoa com boa intenção pode fazer ao nos acusar de algo, é estar errado. E não vamos provar este erro nos afundando em posturas egoístas e de orgulho!
E se esta pessoa estiver certa? Por acaso somos perfeitos ou infalíveis?
Vamos acabar com esta cadeia de melindres e conversar como gente grande, sem infantilidades, ou nós mesmos seremos os maiores obstáculos ao nosso trabalho, é o que se pode depreender disso tudo.
E que Jesus esteja sempre conosco, nos auxiliando e nos protegendo.
Que Assim Seja!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Reflexões Acerca Da Palavra (2)

Queridos Irmãos, continuando sobre o tema anterior:

Podemos falar tudo o que pensamos?
E se a palavra for “mal dita”? Qual o mal que faremos através dela?
O poder da palavra parece ser tão grande que no começo do Antigo Testamento se lê: “No princípio era o Verbo”.

Cristo dizia tudo o que pensava?
E se o dizia, como dizia?
Parece natural afirmar que Cristo não dizia tudo o que pensava, primeiro, porque falava por parábolas, conforme explica em Mateus, Cap. XIII:10-17.
Segundo, porque prometeu o Consolador, “a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.” João, XIV:26.

Se o próprio Cristo não dizia tudo o que pensava, era por estar nos ensinando o respeito ao estágio mental das criaturas.
Quem somos nós para pretender implantar a verdade?
Seria, de fato, muito pretensioso de nossa parte!
Somos meros reprodutores de conhecimento, se arvorando estar com a verdade, querendo “conscientizar” aos outros, ou seja, impôr nossas “verdades”.
Então, um dos requisitos da palavra prudente é saber quando e de que maneira ela deve ser pronunciada.
“Doutrinar” a palavra.
Exercitar a prudência.
Saber á quem e quando falar.
E como falar.

A boa palavra não carrega maledicência, é pura na intenção.
Não pretende ferir, magoar.
Não comporta o famoso “não quero nem saber, você tem de me ouvir”.
E ainda há justificativas: "Se eu mantivesse isso dentro de mim, me faria mal”, “Eu não consigo segurar!”.
Ah, então sobre esse pretexto posso envenenar o mundo?

As palavras são as emanações concretas mais próximas do pensamento, portanto, saem carregadas de vibrações harmoniosas ou desarmoniosas, que beneficiam ou prejudicam á quem as ouvem.
Se temos o requisito necessário da coragem para falar, também precisamos de igual dose de força para silenciar, quando não pudermos melhorar o silêncio.

Isto me faz lembrar a famosa história dos dois videntes, publicada por um escritor de nome Anthony de Mello, no livro “O Enigma do Iluminado”:
"Pressentindo que seu país em breve iria mergulhar numa guerra civil, o sultão chamou um dos seus melhores videntes, e perguntou-lhe quanto tempo ainda lhe restava viver.
- “Meu adorado mestre, o senhor viverá o bastante para ver todos os seus filhos mortos”.
Num acesso de fúria, o sultão mandou imediatamente enforcar aquele que proferira palavras tão aterradoras. Então, a guerra civil era realmente uma ameaça! Desesperado, chamou um segundo vidente.
- “Quanto tempo viverei”? – perguntou, procurando saber se ainda seria capaz de controlar uma situação potencialmente explosiva.
- “Senhor, Deus lhe concedeu uma vida tão longa, que ultrapassará a geração dos seus filhos, e chegará a geração dos seus netos”.
Agradecido, o sultão mandou recompensá-lo com ouro e prata. Ao sair do palácio, um conselheiro comentou com o vidente:
- Você disse a mesma coisa que o adivinho anterior. Entretanto, o primeiro foi executado, e você recebeu recompensas. Por quê?
- Porque o segredo não está no que você diz, mas na maneira como diz. Sempre que precisar disparar a flecha da verdade, não esqueça de antes molhar sua ponta num vaso de mel."

Cuidemos para não escandalizar: “Porque é necessário que sucedam escândalos, mas aí daquele homem por quem vem o escândalo.”Mateus, XVIII:7.
Tomemos cuidado com o bom ou mau uso da palavra. Saibamos onde e com quem falar. Mantenhamos o pensamento puro e a intenção elevada. E Deus saberá julgar nossos propósitos.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Reflexões Acerca Da Palavra (1)


“Seja o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque tudo o que passa disto é de procedência maligna.” (Mateus, 5:37.)

Queridos Irmãos:

Vamos fazer uma pequena série de postagens acerca da sinceridade, do uso da palavra na busca da verdade, da crítica a hipocrisia.

Estando á frente de pequeno espaço para a divulgação de idéias, através da palestra pública na casa de caridade, e mesmo através deste espaço para divulgação, que atinge á pessoas a quem ás vezes nem conhecemos, mantemos a constante preocupação de “o quê divulgar”, e “como o divulgar”.
Na forma de divulgação, o Mestre não poderia ser mais claro: seja o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque tudo o que passa disto é de procedência maligna.
Inúmeras vezes o Mestre apontou a necessidade de buscarmos a verdade, de sermos retos em nosso proceder, em não praticarmos a hipocrisia.
Em verdade, todos seres humanos têm, cotidianamente, a oportunidade de exercer a sinceridade, seja na via pública, na fila do comércio, no lar.
E nessa oportunidades, que uso fazemos da palavra?

No contexto do ensinamento, o Mestre exortou-nos á não jurar.
Mas, se mantivermos a verdade, não haverá necessidade de jurar por Deus, solicitar á Divina autoridade em matéria de palavra: nossa sinceridade nos conferirá autoridade, não quanto ao conteúdo de nossas palavras, que refletem apenas nossa capacidade limitada de conhecer a verdade, mas sim quanto ás nossas reais intenções na busca do bem.
Inclusive, a prática da hipocrisia, o fomento á mentira e á todos os males da palavra semeadora da discórdia entre os homens, são demonstrativos da nossa infantilidade espiritual: sabemos que chegará um dia em que todas as máscaras cairão!

Quando Jesus nos manda sermos perfeitos, como perfeito é o Pai, está nos ensinando as vacinas necessárias para quando nos defrontarmos com este momento da queda das máscaras.
Por isso, também, nos incita a entesourarmos bens no coração.
Nos ensina a fazermos a separação: á César o que é de César, á Deus o que é de Deus.
Seres imperfeitos, em busca da reforma íntima que nos coloque no rumo da perfeição, sabemos que temos que vigiar nossos pensamentos, nossos atos, e nossas palavras.
E isto significa que não devemos falar tudo o que quisermos. Não somos donos da verdade.
Mas quando falarmos, usemos da sinceridade, busquemos a verdade que liberta, não a mentira que nos algema ás cadeias de ação e reação.
Somente a verdade nos protege das maledicências do mundo.
Somente o falar, em todos os lugares que freqüentarmos, “sim,sim; não, na”, nos defenderá das intrigas do mundo, dos litígios, das pessoas que desejam semear o mal.

Mas o que pode e o que não pode ser falado?
Continuaremos com este tema amanhã.
Estejam em paz.