sexta-feira, 17 de julho de 2009

Os cegos e o elefante (3)

Amigos:
Mais alguns comentários, para efeito de conclusão.

"E Conheçereis a verdade, e a verdade vos libertará" -João, 8:32.

-Libertará do quê?
Oras, no mínimo, da ignorância!

-Mas, o que é a "Verdade"?
Talvez fosse melhor perguntar: "Quem é a Verdade?", já que Jesus, em determinado momento afirmou: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida."João,14:6.

-Esta identidade entre Jesus e a verdade, se dá em que nível?
Evidentemente, ao nível da compreensão de ser um com o Pai.
Portanto, já que somos todos filhos do mesmo Pai, o que existe em nós mais assemelhado á Verdade, é a presença do Pai em nós, a centelha divina!

De fato, "o reino dos céus" está dentro de nós, e Jesus nos ensinou á "sintonizá-lo": "venha á nós o vosso reino".

Neste momento, então, o conhecimento da Verdade nos liberta de nós mesmos, enquanto entidades vinculadas ao "reino do mundo", o que é outra forma de nos ensinar a superar o nosso ego, e aprendermos a prática da caridade, do amor em ação, do fortalecimento da presença de Deus em nós, através da vibração conjunta á centelha divina.

"Conheça a Verdade, e a Verdade vos libertará", do ego, do eu, da pequenez do mundo, das prisões da individualidade.

E o "eu" despreendido sintonizará com o Todo, com Deus, através de sua partícula colocada em todos nós, e nos veremos todos irmãos, e aceitaremos a prática da caridade enquanto higienizadora de nossas condutas no caminho para o Pai, através da prática daquilo pregado por Jesus.

E encontraremos, então, a Vida!
E que assim seja!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Os cegos e o elefante (2)

Caríssimos irmãos:

São tantos os temas elencados num conto deste tipo, que fica difícil escolher qual o mais significativo.
Mas como o escopo da palestra foi discutir “a verdade de cada um”, apenas relacionaremos os outros:
-Existe a rivalidade prejudicando a amizade, mesmo entre sábios;
-Aliás, sábios mediante quê conceito, já que discutem muito? Dentro de uma abordagem contemporânea, no máximo os sete são inteligentes do ponto de vista racional, mas não do ponto de vista emocional;
-Há a referência em uma fala, quanto á superação á que podemos ser levados, apesar de alguma deficiência ("somos cegos para que possamos ouvir e entender melhor que as outras pessoas a verdade da vida");
-E, por fim, não poderíamos deixar de citar a passagem quase cristã de um menino trazendo, metaforicamente, a noção do todo, a integração das partes.
Passemos, então, á reflexão quanto á Verdade.
Muitos entenderão que a verdade é relativa, e que cada um pode vê-la de uma forma diferente. No caso em questão, todos os cegos teriam uma parte dela. Todos teriam, ao mesmo tempo, razão.
Mas isso é um absurdo lógico, pois não podem todos estarem certos e errados ao mesmo tempo.
Acontece que a famosa frase “a verdade é relativa”, não é correta do ponto de vista lógico: se existe uma Verdade, ela tem de ser uma só, aqui, ali, em qualquer lugar. Una e indivisível.
Portanto, do ponto de vista lógico, a Verdade é absoluta.
Simplesmente, não conseguimos abarcar o todo, e por isso, fazemos uma imagem relativa da Verdade. Então, o problema está na imagem que fazemos, e não na própria Verdade.
Parodiando, seríamos “cegos” para o conjunto, tomando as qualidades das partes como referência absoluta da Verdade.
Aí chegamos á conclusão: “minha Verdade é tão válida quanto a sua”!
Mas essa afirmação, como o demonstrado, parte de uma base ilógica.
No tocante ás religiões, por exemplo, dizer que “todas as religiões são verdadeiras”, contém a mesma inconsistência lógica.
Mas dizer que devemos respeitar todas as religiões, por que não podemos afirmar se estamos apenas “segurando o rabo”, ou “vendo o todo”, com certeza seria, no mínimo, prudente.
È evidente a necessidade de afirmação de todas as doutrinas religiosas, ao pretenderem conter “toda” a Verdade, mas acreditamos que o ser humano ainda está longe de conseguir fazer esta síntese do “Todo”, e por isso, não deveríamos agir como cegos e tolos, nos afirmando mais sábios que nossos irmãos.
Fiquem em paz, e que assim seja!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Os cegos e o elefante.

Queridos irmãos:
Tivemos a oportunidade de assistir a palestra proferida por nossa querida amiga Marga, em nossos trabalhos de segunda-feira, 13/07.
Na oportunidade, ela teceu comentários sobre uma lenda hindu acerca de cegos e um elefante, e sua relação com a Verdade. Deixamos o número de cegos vago de propósito, pois a lenda varia muito, desde três, quatro, cinco, seis, e até esta, que apresento á vocês, com sete cegos. Amanhã comentaremos nossa opnião sobre esse assunto. Por enquanto, se assim o desejarem, reflitam sobre ele. Um fraterno abraço.

OS CEGOS E O ELEFANTE (História do Folclore Hindu)

Numa cidade da Índia viviam sete sábios cegos. Como os seus conselhos eram sempre excelentes, todas as pessoas que tinham problemas recorriam à sua ajuda.
Embora fossem amigos, havia uma certa rivalidade entre eles que, de vez em quando, discutiam sobre qual seria o mais sábio.
Certa noite, depois de muito conversarem acerca da verdade da vida e não chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido que resolveu ir morar sozinho numa caverna da montanha. Disse aos companheiros:
- Somos cegos para que possamos ouvir e entender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam aí discutindo como se quisessem ganhar uma competição. Não aguento mais! Vou-me embora.
No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante montado num enorme elefante. Os cegos nunca tinham tocado nesse animal e correram para a rua ao encontro dele.
O primeiro sábio apalpou a barriga do animal e declarou:
- Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! Posso tocar nos seus músculos e eles não se movem; parecem paredes...
- Que palermice! - disse o segundo sábio, tocando nas presas do elefante. - Este animal é pontiagudo como uma lança, uma arma de guerra...
- Ambos se enganam - retorquiu o terceiro sábio, que apertava a tromba do elefante. - Este animal é idêntico a uma serpente! Mas não morde, porque não tem dentes na boca. É uma cobra mansa e macia...
O quarto sábio pediu para ser colocado sobre o animal, e disse:
-Está claro que é uma tartaruga gigante, pois estou sobre seu casco!
- Vocês estão totalmente alucinados! - gritou o quinto sábio, que mexia nas orelhas do elefante. - Este animal não se parece com nenhum outro. Os seus movimentos são bamboleantes, como se o seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante...
- Vejam só! - Todos vocês, mas todos mesmos, estão completamente errados! - irritou-se o sexto sábio, tocando a pequena cauda do elefante. - Este animal é como uma rocha com uma corda presa no corpo. Posso até pendurar-me nele.
E assim ficaram horas debatendo, aos gritos, os seis sábios. Até que o sétimo sábio cego, o que agora habitava a montanha, apareceu conduzido por uma criança.
Ouvindo a discussão, pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tateou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e enganados ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:
- É assim que os homens se comportam perante a verdade. Pegam apenas numa parte, pensam que é o todo, e continuam tolos!

domingo, 12 de julho de 2009

Domingo, no IECIM.

Queridos irmãos:
Hoje, domingo, estivemos novamente no IECIM-Peruíbe.
Tivemos a oportunidade de ouvir a palavra sempre esclarecida de nosso amigo Henrique. Acompanhamos a realização de mais um trabalho de cura espiritual. Pudemos colaborar com a participação de quatro médiuns nos trabalhos de passe. Mas o motivo desta coluna foi a inspirada abertura dos trabalhos, proporcionada pelo médium Laerson.
Nunca tecemos comentários sobre aspectos particulares aos trabalhos da casa, não é de nossa alçada. E nem o faremos agora.
Somente nos interessamos em dividir com vocês a excelente metáfora contida nas palavras do médium referido, pedindo antecipadas desculpas se o fazemos de memória, e sem o brilhantismo do evento acontecido. Procuraremos nos ater ao sentido das palavras, o que julgamos mais importante. Passemos ao relato:
“O plano espiritual superior planejou construir um hospital, que beneficiasse toda a humanidade. Desde as concepções arquitetônicas, o material de sua elaboração, suas dependências aptas á receber os necessitados, tudo foi pensado e executado com o intuito de atingir suas finalidades práticas.
Colocados ali seus pacientes, diversos tarefeiros vieram, periodicamente, a lhes ensinar regras de conduta. Veio, então, um diretor austero, e implantou a lei de Talião: olho por olho, dente por dente.
Durante muito tempo viveram as pessoas daquele hospital, dentro destes princípios. Mas eis que foi anunciada a troca de Diretor. E o médico que chegou revogou as leis anteriores. Estabeleceu que o único remédio a ser usado em todos os casos seria o amor. Fez palestras de orientação onde afirmava: amai á Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a ti mesmo. Não perdia oportunidade de se pronunciar sobre o caminho da cura de todas as patologias: fora da caridade não há salvação.
Tão sublime era seu remédio, que não apresentava efeitos colaterais!
Entretanto, muitos de seus pacientes, presos á práticas arraigadas, duvidavam da eficácia do remédio prescrito, e se endureciam em suas posturas cristalizadas. O médico salientava sempre a necessidade do amor, e quando curava dizia: tua fé te salvou!
Ás vezes advertia: vai, e procure não errar mais, para que não te aconteça de voltar a sua doença, ou outra pior.
Bem, é evidente que esse hospital é a Terra, e nosso médico, Jesus.
È evidente, também, que segundo ele, o amor em ação (caridade) é o único caminho de cura efetiva, já que cura nosso espírito doente, e não apenas o corpo físico.
Esperamos, então, que ninguém deixe de buscar alívio para suas dores, onde estiver, mas reconheça sua responsabilidade pessoal e intransferível na busca da saúde espiritual, ouvindo o médico dos médicos, e atendendo suas prescrições quando afirma: Fora da caridade não há salvação!”
E que assim seja!