sexta-feira, 6 de novembro de 2009

As Leis Humanas e a Moral Cristã (2)


Queridos Irmãos:
Deve ter sido muito difícil para Jesus executar sua missão.
Atenhamo-nos apenas aos aspectos morais do exercício de suas tarefas, e já teremos pálida idéia dessas dificuldades.

Para não ser confundido com um conquistador mundano, libertador do povo Hebreu, nasceu em uma manjedoura.
E mesmo assim o foi!

Para não se imaginar que sua palavra deveria favorecer aos doutos apenas, escolheu para seguidores pescadores ignorantes.
E mesmo assim foi confundido!

Buscou falar com simplicidade e clareza, mas não podia dizer tudo o que sabia!
Teve de alertar seus discípulos acerca da maldade do mundo, e da deturpação de suas palavras!
E quantos padecimentos morais iguais á esses ou maiores Ele não sofreu?

Inúmeras vezes os Escribas e os Fariseus buscavam colocá-lo em contradita com as autoridades.
De certa feita, perguntaram acerca do repúdio á mulher, considerado direito naquela época (Mateus, XIX:3-9), e colheram como resposta: “Não separe o homem o que Deus ajuntou.”
Mas será que o Cristo estava falando da indissolubilidade do casamento?
Um casamento que já fracassou, em que as pessoas apenas se toleram, ou nem se toleram mais, não está acabado de fato, mas não de direito?
Estão estas pessoas unidas “por Deus”?

Jesus, evidentemente, conhecia o futuro: inúmeras vezes fez previsões que viriam a se concretizar.
Conhecia, portanto, a relatividade das leis da época, e as mudanças que sofreriam essas leis, mas não ia perder tempo explicando á cegos sobre realidades que estes não tinham condições de ver!

E quando disse que viera trazer a espada, e não a paz (Mateus, X:34-36), isto era um aviso ou uma imprecação?
Ora, pretender que Jesus amaldiçoasse alguém é lhe atribuir nossos defeitos mundanos!
Ele não é igual á nós!

Portanto, quando disse que os inimigos do homem estariam em sua própria família, estava avisando, ou de uma maneira simbólica, ou com muita clareza, que precisaríamos agüentar até mesmo o desacordo de nossos entes mais próximos, se resolvêssemos seguir seu caminho.
De fato, não foram fundadas muitas religiões “em seu nome”, e esses “irmãos”, ou “filhos do mesmo pai”, não se perseguiram e até mataram entre si?

E por outro lado, quando pretendemos praticar a nossa reforma íntima, quando iniciamos em Sua senda, via de regra não são nossos cônjuges, ou pais, que primeiramente duvidam de nossas intenções?
E se nossa postura reformada os incomoda, não são os primeiros á nos tachar de fanáticos ou santarrões?

Jesus precisava emitir um ensinamento universalizante, mas deveria fazê-lo em uma cultura específica, regional e com seus valores arcaicos.
Dessa contradição resulta em muitas passagens a obscuridade de suas palavras: Ele foi o mais claro que pode. Obscuro era e é o nosso entendimento de sua mensagem!

Continuaremos oportunamente. Fiquem em paz. Com a graça de Deus.

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