quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Dia de Finados (1)



Caríssimos Irmãos:

O Espiritismo tem profundo respeito pelos mortos, apesar de consistir um erro afirmar que é uma doutrina destes: ora, se o Espiritismo prova que não se morre, ele é a doutrina dos vivos, deste ou do outro lado da vida!

Como não poderia deixar de ser, este respeito se estende ao dia em que algumas religiões se dedicam á homenagear seus mortos.
Os próprios espíritos abordaram este tema, em tópico do Capítulo VI, da Parte 2ª do Livro dos Espíritos.
Hoje postaremos o texto, para oportunamente comentarmos.
Fiquemos em paz.

Comemoração dos mortos. Funerais.

320. Sensibiliza os Espíritos o lembrarem-se deles os que lhes foram caros na Terra?
“Muito mais do que podeis supor. Se são felizes, esse fato lhes aumenta a felicidade.
Se são desgraçados, serve-lhes de lenitivo.”

321. O dia da comemoração dos mortos é, para os Espíritos, mais solene do que os outros dias? Apraz-lhes ir ao encontro dos que vão orar nos cemitérios sobre seus túmulos?
“Os Espíritos acodem nesse dia ao chamado dos que da Terra lhes dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer.”

a) - Mas o de finados é, para eles, um dia especial de reunião junto de suas sepulturas?
“Nesse dia, em maior número se reúnem nas necrópoles, porque então também é maior, em tais lugares, o das pessoas que os chamam pelo pensamento. Porém, cada Espírito vai lá somente pelos seus amigos e não pela multidão dos indiferentes.”

b) - Sob que forma aí comparecem e como os veríamos, se pudessem tornar-se visíveis?
“Sob a que tinham quando encarnados.”

322. E os esquecidos, cujos túmulos ninguém vai visitar, também lá, não obstante, comparecem e sentem algum pesar por verem que nenhum amigo se lembra deles?
“Que lhes importa a Terra? Só pelo coração nos achamos a ela presos. Desde que aí ninguém mais lhe vota afeição, nada mais prende a esse planeta o Espírito, que tem para si o Universo inteiro.”

323. A visita de uma pessoa a um túmulo causa maior contentamento ao Espírito, cujos despojos corporais aí se encontrem, do que a prece que por ele faça essa pessoa em sua casa?
“Aquele que visita um túmulo apenas manifesta, por essa forma, que pensa no Espírito ausente. A visita é a representação exterior de um fato íntimo. Já dissemos que a prece é que santifica o ato da rememoração. Nada importa o lugar, desde que é feita com o coração.”

324. Os Espíritos das pessoas a quem se erigem estátuas ou monumentos assistem à inauguração de umas e outros e experimentam algum prazer nisso?
“Muitos comparecem a tais solenidades, quando podem; porém, menos os sensibiliza a homenagem que lhes prestam do que a lembrança que deles guardam os homens.”

325. Qual a origem do desejo que certas pessoas exprimem de ser enterradas antes num lugar do que noutro? Será que preferirão, depois de mortas, vir a tal lugar? E essa importância dada a uma coisa tão material constitui indício de inferioridade do Espírito?
“Afeição particular do Espírito por determinados lugares; inferioridade moral. Que importa este ou aquele canto da Terra a um Espírito elevado?
Não sabe ele que sua alma se reunirá às dos que lhe são caros, embora fiquem separados os seus respectivos ossos?”

a) - Deve-se considerar futilidade a reunião dos despojos mortais de todos os membros de uma família?
“Não; é um costume piedoso e um testemunho de simpatia que dão os que assim procedem aos que lhes foram entes queridos. Conquanto destituída de importância para os Espíritos, essa reunião é útil aos homens: mais concentradas se tornam suas recordações.”

326. Comovem a alma que volta à vida espiritual as honras que lhe prestem aos despojos mortais?
“Quando já ascendeu a certo grau de perfeição, o Espírito se acha escoimado de vaidades terrenas e compreende a futilidade de todas essas coisas. Porém, ficai sabendo, há Espíritos que, nos primeiros momentos que se seguem à sua morte material, experimentam grande prazer com as honras que lhes tributam, ou se aborrecem com o pouco caso que façam de seus envoltórios corporais. É que ainda conservam alguns dos preconceitos desse mundo.”

327. O Espírito assiste ao seu enterro?
“Frequentemente assiste, mas, algumas vezes, se ainda está perturbado, não percebe o que se passa.”

a) - Lisonjeia-o a concorrência de muitas pessoas ao seu enterramento?
“Mais ou menos, conforme o sentimento que as anima.”

328. O Espírito daquele que acaba de morrer assiste à reunião de seus herdeiros?
“Quase sempre. Para seu ensinamento e castigo dos culpados, Deus permite que assim aconteça. Nessa ocasião, o Espírito julga do valor dos protestos que lhe faziam.
Todos os sentimentos se lhe patenteiam e a decepção que lhe causa a rapacidade dos que entre si partilham os bens por ele deixados o esclarece acerca daqueles sentimentos. Chegará, porém, a vez dos que lhe motivam essa decepção.”

329. O instintivo respeito que, em todos os tempos entre todos os povos, o homem consagrou e consagra aos mortos é efeito da intuição que tem da vida futura?
“É a consequência natural dessa intuição. Se assim não fosse, nenhuma razão de ser teria esse respeito.”

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Necessidades

Queridos irmãos:
Publicaremos neste espaço uma poesia recebida psicograficamente em um de nossos cursos.
Se o fazemos, é na forma de incentivo ao estudo da mediunidade e a sua prática.
Verificamos os requisitos necessários á sua divulgação, e acreditamos que esta mensagem os preenche.
Inicialmente, não é assinada, ou seja, não se pretende auferir nenhum tipo de prestígio com sua divulgação.
Também tem conteúdo notoriamente de fundo moral, sem linguagem vulgar ou rebuscada em excesso, e prima pelo incentivo ao estudo e á disciplina.
Por fim, foi realizada em meio á um ambiente de oração, paz e tranquilidade, onde o agradecimento á Deus é uma constante, e o espírito de trabalho contagia á todos.
Boa leitura e reflexão. Que todos encontrem a paz.

                           NECESSIDADES
As cerdas alinhadas do pincel
A branca tela que absorve a tinta
As várias cores e o papel
São necessários á quem pinta.

A doce voz de quem canta
Das cordas vocais e dos lábios necessita
Ao entoar a ária maviosa que encanta
Que enternece, e o silêncio justifica.

Do diapasão não pode prescindir
O músico que a melodia enaltece
Com treino ele tem que insistir
Pois com persistência sua arte enobrece.

No mundo espiritual não é tão diferente:
Necessita o bom guia ao nosso lado
De instrumento afinado e interprete competente
Traduzido no auxílio do médium preparado.

                                    Graças á Deus.

domingo, 25 de outubro de 2009

Evocação de Espíritos

Caríssimos Irmãos:

Um dos grandes questionamentos que se faz ao Espiritismo, é quanto á evocações dos mortos.
Gostaríamos de adentrar á esta polêmica, nunca suficientemente resolvida, dando um argumento extremamente simples, que alguns chamariam mesmo de simplista, o que não nos incomoda.
Antes, deveríamos dizer que, quem condena ás evocações, normalmente se baseia na proibição de Moisés, Deuteronômio, XVIII:10-12.

Em “O Céu e o Inferno”, Allan Kardec fala a respeito da proibição de se evocar os mortos:
“A proibição de Moisés era assaz justa, porque a evocação dos mortos não se originava nos sentimentos de respeito, afeição ou piedade para com eles, sendo antes um recurso para adivinhações, tal como nos augúrios e presságios explorados pelo charlatanismo e pela superstição. Essas práticas, ao que parece, também eram objeto de negócio, e Moisés, por mais que fizesse, não conseguiu desentranhá-las dos costumes populares”.
"Quando a evocação é feita com recolhimento e religiosamente; quando os Espíritos são chamados, não por curiosidade, mas por um sentimento de afeição e simpatia, com desejo sincero de instrução e progresso, não vemos nada de irreverente em apelar-se para as pessoas mortas, como se fizera com os vivos. Há, contudo, uma outra resposta peremptória a essa objeção, e é que os Espíritos se apresentam espontaneamente, sem constrangimento, muitas vezes mesmo sem que sejam chamados. Eles também dão testemunho da satisfação que experimentam por comunicar-se com os homens, e queixam-se às vezes do esquecimento em que os deixam. Se os Espíritos se perturbassem ou se agastassem com os nossos chamados, certo o diriam e não retornariam; porém, nessas evocações, livres como são, se se manifestam, é porque lhes convém”. (Allan Kardec, O Céu e o Inferno, pgs. 155-156)

Por outro lado, e eis nosso argumento, se “evocar” os mortos não é correto, “receber” os mortos não é proibido. Ou pelo menos não é proibido desde que Jesus o fez.
Em Mateus, Capítulo XVII, Jesus não só recebe a presença de Moisés e Elias, como ainda chama Pedro, Tiago e João para testemunha-la.
Ora, não nos é possível imaginar Jesus fazendo algo que fosse proibido.
Não vamos nem ser levianos de argumentar com relação á isso; se o Mestre fez, é possível fazer, estamos autorizados a tentar fazer, pois sua prescrição foi de “sermos perfeitos”, pois tudo o que Ele fez foi exemplificar.
Portanto, se Moisés proibiu, Jesus revogou, demonstrando que a proibição estava muito mais vinculada á capacidade da humanidade á época de Moisés, do que á impossibilidade da execução.

Sabemos da prudência necessária quanto ás evocações.
Sabemos que muitos espíritos não estão em condições de atender á chamados particulares.
Sabemos a opinião de Emmanuel e André Luiz á esse respeito.
Sabemos, também, e fazemos questão de respeitar, a opinião das outras religiões.
Mas pedimos á quem se interessar, que pense minimamente, e mesmo que não concorde, pare de “demonizar” nossa posição, pois isso em nada colabora com qualquer debate.

Estejamos em paz, e que o Cristo nos ampare e proteja.