quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Reflexões Acerca Da Palavra (2)

Queridos Irmãos, continuando sobre o tema anterior:

Podemos falar tudo o que pensamos?
E se a palavra for “mal dita”? Qual o mal que faremos através dela?
O poder da palavra parece ser tão grande que no começo do Antigo Testamento se lê: “No princípio era o Verbo”.

Cristo dizia tudo o que pensava?
E se o dizia, como dizia?
Parece natural afirmar que Cristo não dizia tudo o que pensava, primeiro, porque falava por parábolas, conforme explica em Mateus, Cap. XIII:10-17.
Segundo, porque prometeu o Consolador, “a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.” João, XIV:26.

Se o próprio Cristo não dizia tudo o que pensava, era por estar nos ensinando o respeito ao estágio mental das criaturas.
Quem somos nós para pretender implantar a verdade?
Seria, de fato, muito pretensioso de nossa parte!
Somos meros reprodutores de conhecimento, se arvorando estar com a verdade, querendo “conscientizar” aos outros, ou seja, impôr nossas “verdades”.
Então, um dos requisitos da palavra prudente é saber quando e de que maneira ela deve ser pronunciada.
“Doutrinar” a palavra.
Exercitar a prudência.
Saber á quem e quando falar.
E como falar.

A boa palavra não carrega maledicência, é pura na intenção.
Não pretende ferir, magoar.
Não comporta o famoso “não quero nem saber, você tem de me ouvir”.
E ainda há justificativas: "Se eu mantivesse isso dentro de mim, me faria mal”, “Eu não consigo segurar!”.
Ah, então sobre esse pretexto posso envenenar o mundo?

As palavras são as emanações concretas mais próximas do pensamento, portanto, saem carregadas de vibrações harmoniosas ou desarmoniosas, que beneficiam ou prejudicam á quem as ouvem.
Se temos o requisito necessário da coragem para falar, também precisamos de igual dose de força para silenciar, quando não pudermos melhorar o silêncio.

Isto me faz lembrar a famosa história dos dois videntes, publicada por um escritor de nome Anthony de Mello, no livro “O Enigma do Iluminado”:
"Pressentindo que seu país em breve iria mergulhar numa guerra civil, o sultão chamou um dos seus melhores videntes, e perguntou-lhe quanto tempo ainda lhe restava viver.
- “Meu adorado mestre, o senhor viverá o bastante para ver todos os seus filhos mortos”.
Num acesso de fúria, o sultão mandou imediatamente enforcar aquele que proferira palavras tão aterradoras. Então, a guerra civil era realmente uma ameaça! Desesperado, chamou um segundo vidente.
- “Quanto tempo viverei”? – perguntou, procurando saber se ainda seria capaz de controlar uma situação potencialmente explosiva.
- “Senhor, Deus lhe concedeu uma vida tão longa, que ultrapassará a geração dos seus filhos, e chegará a geração dos seus netos”.
Agradecido, o sultão mandou recompensá-lo com ouro e prata. Ao sair do palácio, um conselheiro comentou com o vidente:
- Você disse a mesma coisa que o adivinho anterior. Entretanto, o primeiro foi executado, e você recebeu recompensas. Por quê?
- Porque o segredo não está no que você diz, mas na maneira como diz. Sempre que precisar disparar a flecha da verdade, não esqueça de antes molhar sua ponta num vaso de mel."

Cuidemos para não escandalizar: “Porque é necessário que sucedam escândalos, mas aí daquele homem por quem vem o escândalo.”Mateus, XVIII:7.
Tomemos cuidado com o bom ou mau uso da palavra. Saibamos onde e com quem falar. Mantenhamos o pensamento puro e a intenção elevada. E Deus saberá julgar nossos propósitos.

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