sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A Parábola do Semeador (2)


Queridos irmãos:

Aquele que tiver ouvidos para ouvir, que ouça!

A primeira coisa a ser salientada é a advertência usada pelo Cristo, nessa e em outras oportunidades, quanto á nossa capacidade de entender as verdades que Ele pronunciava.
É exatamente porque fazia parte de sua pedagogia atingir o maior número de pessoas, encarnados e desencarnados, no tempo e no espaço, que Ele explicava assuntos complexos através de parábolas.
Á medida que crescemos em entendimento, vislumbramos aspectos antes não percebidos.
Isto significa, também, para nós espíritas, que podemos pedir aos bons espíritos a dilatação de nossas percepções, de nossas intuições, de nosso entendimento.
Em verdade, todo aquele que se aproxima dos ensinos do Mestre Jesus, seja em que doutrina religiosa for, com o intuito de aperfeiçoar sua moral, no interesse da prática da caridade, tem companhias espirituais que de bom grado tentam o auxiliar na difícil tarefa do entendimento cristão.
Peçamos, então, o entendimento necessário para não deturpar as palavras do Senhor!

O semeador da parábola é Jesus.
As sementes são seus ensinos.
A partir daí, o Mestre começa a fazer distinção quanto á maneira de ver e entender de cada pessoa, demonstrando as diferentes personalidades humanas.
As sementes que caem á beira da estrada e que são comidas pelas aves do céu antes que nasçam simbolizam aqueles que, mesmo tendo a oportunidade de conhecer as palavras de Jesus, não se interessam por ela. Tem seus pensamentos totalmente voltados para a vida material.
Estes ou desprezam á moral cristã, ou são simplesmente indiferentes á ela. As aves, nesse caso, remetem aos espíritos endurecidos no mal, que se aproveitam dessas posturas para manter estes indivíduos longe do Criador.
Quantas vezes nós mesmos, ao ver o mal ser produzido próximo á nós, nos mantemos indiferentes, acreditando não ter nada a ver com isto, numa postura típica de “lavar as mãos”.
Não que tenhamos que nos envolver diretamente em eventos dolorosos, mas devemos sempre aproveitar todas as oportunidades possíveis para exercitar a caridade, seja através da palavra, ou da ação, ou no mínimo, da oração.
Já as sementes que caem em solo pedegroso, dizem da pouca base que temos na aceitação das verdades eternas: nos empolgamos com a palavra, imediatamente aderimos de bom grado á nova descoberta, mas não criamos raízes, e nas primeiras intempéries, somos levados pela indignação e até pela revolta. Este solo representa os seres que creram, mas não compreenderam os ensinos espirituais. Acreditam estar isentos de qualquer outra dificuldade em suas vidas, por estarem dedicando-se ao extremo no trabalho de Jesus. Porém, a existência não é assim, e logo virão as provas e expiações, necessárias ao nosso aprimoramento moral e intelectual. É o sol da parábola, que queimará aquela planta que cresceu sem que tivesse raízes profundas, ou seja, o verdadeiro entendimento da vida e de suas leis. A pessoa sente-se injustiçada por Deus, que, segundo ela, deveria evitar-lhe dores e dúvidas. E então, deixa por completo o trabalho espiritual e volta para sua descrença, não compreendendo que a natureza não dá saltos, e toda mudança abrupta tende a nos fazer retornar ao ponto inicial.
Em Espiritismo, segundo Kardec, esta passagem remete ao empolgados com os fenômenos mediúnicos, mas que não se esforçam por entender a moral evangélica. Estes precisam continuamente de sinais, fenômenos e auxílio, segundo Rino Curti, em “Curso de Aprendizes do Evangelho, 2º Ano”, 1994.”A semente nos pedregais não vinga, não tem raiz, assim como no campo espiritual falha o testemunho. Não há perseverança.” (pg.40)

Amanhã concluiremos, dissertando sobre os outros dois tipos de solo da parábola.
Fiquem com Deus.

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