segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Queridos Amigos:
Finalizando a nossa colaboração para o debate acerca das relações entre a Doutrina Espírita e a Internet, debate que sabemos não ter fim, fazemos a terceira e última postagem desta série, pedindo mais uma vez que as opiniões aqui contidas sirvam para alicerçar propostas, e não para acirrá-las.

O original deste texto se encontra em
www.espirito.org.br/portal/artigos/geae
Que o diálogo franco seja um dos meios de nosso crescimento, é o que desejamos.
Fiquemos em paz, e com Jesus!





Espiritismo e a Internet, por Carlos Alberto Iglesia Bernardo

Caros Amigos,

Na questão do "Espiritismo e a Internet", gostaria de colocar alguns comentários adicionais, algumas idéias que tem sido discutidas vez por outra nos boletins e que se relacionam com a questão.

O Espiritismo tem uma característica um pouco diferente de outras doutrinas e filosofias, ele é dinâmico. é uma doutrina aberta aos avanços científicos, as transformações sociais, as mudanças no panorama dos conhecimentos gerais do homem. Kardec assentou as bases de uma doutrina capaz de estar frente a frente com a razão e com a ciência em todas as épocas da humanidade. E ele estabeleceu tais bases firmando-as no estudo, na pesquisa, em uma nova visão do complexo relacionamento entre nós e o mundo que nos rodeia, tanto material quanto espiritual, visão profundamente enraizada na certeza de que o homem evolui e, na medida que o faz, adquire novas possibilidades de compreensão e conhecimento.

Eis porque o Espiritismo não pode estagnar, não pode fechar-se em um corpo ortodoxo, em uma "pureza doutrinaria" inatingível - porque suporia a capacidade de uma pessoa, ou instituição, englobar "todo" o conhecimento "possível" acerca da doutrina e ser capaz de discernir "sem falhas" quando algo novo é Espiritismo e quando não é. O Espiritismo é vivo, e se os últimos 150 anos só tem confirmado as bases que Kardec lhe deu, tem também lhe dado novos detalhes, novas nuances, que caracterizam que a doutrina não está parada no tempo - Quem na época de Kardec imaginaria os vastos panoramas da vida espiritual descortinados por André Luiz, Camilo Castelo Branco e tantos outros ?

Cremos que exista um núcleo comum entre todos os Espíritas: a Codificação Espírita levada a cabo por Kardec; os novos conhecimentos acrescentados neste século e meio de historia, reconhecidos de comum acordo por todos (por exemplo, a obra mediúnica de Francisco Candido Xavier). Mas alem desse núcleo, há as regiões de fronteira - onde o conhecimento se faz, se cria - que ainda não estão consolidadas, mas que com o tempo serão "incorporadas" ao conhecimento comum, que serão transformadas ou compreendidas mais claramente (a TCI por exemplo). Nessas regiões também colocaria as transformações resultantes da interação entre os Espíritas e as sociedades em que vivem, como por exemplo, a imensa obra assistencialista levada a cabo pelos Espíritas brasileiros e o seu aspecto "mais religioso" do que o apresentado pelo movimento espírita europeu.

Pois bem, eis mais um papel da Internet, um foro de discussão, de ligação entre todos que se dedicam ao estudo da doutrina, a pesquisa de suas novas fronteiras, a aplicação dos conhecimentos já firmados. A Internet elimina as barreiras físicas e estabelece a ligação que permite que as noticias corram rapidamente o mundo, que novas idéias sejam apresentadas e debatidas, que exemplos sejam conhecidos e seguidos,que resultados sejam checados e validados. Nela estamos todos próximos, todos em condição de conhecer o que se passa nos vários cantos deste nosso mundo.

A vida "na Internet" é sem duvida alguma um tanto mais "fria" que o contato humano direto, mas quem na nossa época tão agitada teria condições de dedicar-se continuamente - no mundo "real" - a trocar idéias com os irmãos que estão em outras cidades, em outros paises, e em outros continentes ? Como conseguir, com tanta eficiência, colocar em contato espíritas que residem nas Américas, na Europa, na Ásia, na África e na Oceania ? Como formar uma cultura espírita mundial, que sem descartar as nuances psicológicas de cada povo, é conseqüência direta do caráter universal dos ensinamentos dos Espíritos ?

Um outro aspecto importante é o seu papel de terreno neutro para os debates: Em que outro ponto poderíamos reunir, de maneira que apenas as idéias importem, uma comunidade tão heterogênea - um das provas da riqueza espiritual da doutrina - como é hoje a Espírita ?

Eis que na Internet conseguimos, de forma rotineira, ver trocas de idéias entre Espíritas com tendências religiosas, Espíritas com visão laica da doutrina, Espíritas voltados a uma atuação mais assistencialista, Espíritas mais dedicados aos aspectos científicos, Espíritas de temperamento místico, etc.

Enfim todas as possibilidades de Espíritas decorrentes da infinita variedade de personalidades humanas com que Deus brindou a humanidade. Essa cooperação de pontos de vistas diferentes, essa aproximação de idéias, essa fraternidade nos estudos, não parece muito frequente em outros terrenos !

O pensamento liberal, criação dos filósofos europeus no período das guerras religiosas entre católicos e protestantes, baseou-se na compreensão de que a razão humana é limitada, que as diferenças entre a visão de mundo que cada um tem, tornam impossível a uniformidade absoluta. A nós nos cabe fazer dessas diferenças uma oportunidade de crescimento e não de rixas intermináveis. Algo talvez difícil no nosso dia-a-dia, pois que normalmente convivemos com quem nos compartilha as idéias, mas perfeitamente possível na rede eletrônica.

Kardec nos recomendou "Espíritas, Instrui-vos" e a Internet é mais uma ferramenta para isso.

Atenciosamente, Carlos Iglesia

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