domingo, 3 de junho de 2012

Nossos Olhos

Queridos Amigos:

Voltamos á inserir neste espaço o conteúdo de algumas palestras realizadas em nossa casinha de trabalho e oração.
Começaremos com esta referente aos Olhos.
Que o Mestre nos abençoe a iniciativa!

Nossos Olhos

“Os olhos são a janela da Alma”, diz o ditado popular, demonstrando que sabemos intuitivamente da importância de nosso olhar sobre as coisas.
Afirmar que os olhos são a janela da alma, significa, em outras palavras, que a maneira como você vê o mundo, mostrará ao mundo quem você é.

Isto é coerente com o ensinamento de Jesus, contido em Mateus:
"A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!" Mateus 6.22-23.

É necessário abrir um parentêsis, e buscar o sinificado de candeia: candeeiro de óleo ou de cera. Lâmpada formada por um recipiente de barro ou de folha, munida de um bico pelo qual passa a extremidade de um pavio, que se enche com óleo para queimar. Lamparina.
Em outras palavras, candeia está na bíblia como uma matáfora de luz, iluminação interior, sabedoria espiritual. Como quando se diz que ninguém acende uma candeia para colocá-la embaixo da mesa, e em outras várias passagens.

Percebamos que a formulação do Cristo já é um avanço com relação á formulação do Velho Testamento: "Porque tu acenderás a minha candeia; o SENHOR meu Deus iluminará as minhas trevas" Salmos 18.28.

Então, para o salmista, estamos em trevas.
Em Jesus, não: podemos estar em trevas ou termos luz!
Como sempre, no Antigo Testamento a Lei de Talião, em Jesus a Lei de Amor!

Durante séculos os estudiosos permaneceram relacionando a luz á Doutrina, e as trevas á Falsa Doutrina, a Luz á Bondade, e as Trevas á Maldade, etc.
Mas nossa preocupação é outra: será que sendo pretensos videntes, vemos de fato a ação de Jesus em nossas vidas?

Utilizando da passagem do cego Bartimeu (Marcos, 10:46-52), onde um cego, sabendo da presença de Jesus o reconhece como o Messias, a ponto de o chamar de Filho de Davi, mostrando assim, que cria na linhagem real de Jesus. Pede então sua cura e o consegue.
Ele sendo cego “viu” Jesus. E nós, será que os vemos no dia-a-dia?

Diante de uma situação ruim, acreditamos fielmente que Deus está no controle, ou que Jesus está no leme, ou fraquejamos na fé?
Não foi à toa que Cristo disse: “Terão olhos e não verão.” Quantos de nós, tendo olhos, não vemos e não exercitamos a nossa visão a procurar o bem e o que é bom? Afirmamos sistematicamente que Jesus está em nossas vidas. Entretanto, á menor contrariedade, nos lamentamos e até blasfemamos ao dizer: porque comigo?

Aprofundando a metáfora, vejamos que abrir os olhos ao nascer é doloroso. A criança leva dias e semanas para enxergar claramente.
E abrir os olhos ao “nascer de novo”, quando dizemos encontrar Jesus, não deverá ser doloroso também? Então porque acreditamos que ao abandonar uma vida de “pecado”, e deixar “nascer o homem novo”, somente encontraremos proteção e facilidades?

Também ao sair de um ambiente escuro para um iluminado, encontramos dificuldade, o que nos exige coragem, vontade, persistência, e a manutenção do exercício de nos acostumamos a proteger nossa visão quando é preciso e olhar para tudo ao nosso redor com muita naturalidade. E não deverá ser semelhante ao supostamente sairmos de uma religião para outra, agora a “verdadeira”?
(Lembramos sempre que não acreditamos na “Religião Verdadeira”, mas sim na verdadeira prática religiosa, daquele fiel aos postulados cristãos, onde quer que se encontre.)

Então podemos afirmar que Jesus passa ao nosso lado, fala conosco, rodeia-nos com pessoas, palavras, ensinamentos, músicas, dias chuvosos, ensolarados, com conversas, conhecimentos, relacionamentos, oportunidades de ajudar ao próximo, de ouvir a palavra de Deus, de conhecê-lo mais, mas não o vemos, pois os nossos olhos estão ocupados demais com os lixos, os ciscos e as poeirinhas que encontramos no caminho e muitas vezes até o bem que encontramos não o reconhecemos como bem e o chamamos de mal.
E esquecemos as advertências bíblicas: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” Isaías 5:20

Estamos ocupados demais, para sermos gratos a Deus pelo bem que Ele nos fornece, só nos preocupamos em criticar a tudo, e deixamos os nossos olhos se encherem de amargura, crítica, soberba, inveja, murmurações, maledicências...

Intuitivamente sabemos essas coisas: a grama do vizinho pode até parecer mais verde, mas quem sabe ele não se esforça mais para que isso aconteça, ou é aparência, ou apenas nossa imaginação? Devemos olhar para nossa grama e cuidar dela e deixar a do vizinho em paz! Se fizermos assim, certamente a nossa, logo ficará verdinha! Afinal, nada como o olho do dono, não é mesmo?!

Nossos olhos são bons ou estamos sempre vendo maldade, defeitos, erros e dificuldade em tudo e em todos? Uma coisa é precaução, outra bem diferente é em toda situação avessa, você ver e acreditar no pior. Nós conseguimos ver a mão de Deus trabalhando por trás da situação? Nós já paramos para limpar a sujeira dos nossos olhos que podem estar arruinando o nosso corpo e a luz que existe em nós?
É melhor fazermos isso logo, antes que todo nosso olho, corpo, mente e aquilo que nós vemos se tornem trevas tenebrosas e atrapalhe as bênçãos e a luz que Deus quer derramar sobre nossa vida, mente e corpo.

Lembremos de que por trás de tudo o que vivemos e enxergamos está a mão de Deus: “Os olhos de Deus estão sobre os caminhos do homem e vêem todos os seus passos”. (Jó, 34:21)
E pensemos que Deus tem um olhar muito mais complacente que o nosso: “Porque Deus não vê como o homem vê, mas Deus vê o coração do homem”. (Salmos, 16:7)

Afastemos de nós os estrabismos do ódio, da avareza, da maledicência, da ironia, a fim de que em nossas almas corram os filamentos de luz, que Deus vê com alegria e abençoa com intenso amor.

E, finalizando com um ensinamento atribuído á Buda, demonstramos que o ensinamento é universal:
"O que hoje somos deve-se aos nossos pensamentos de ontem que condicionaram nosso comportamento, e são os nossos atuais pensamentos que constroem a nossa vida de amanhã; a nossa vida é a criação de nossa mente. Se um homem fala ou atua com a mente impura, o sofrimento lhe seguirá da mesma forma que a roda do carro segue ao animal que o arrasta".

Um comentário:

  1. Excelente texto Luiz, parabéns.
    É sempre muito importante tentarmos acordar para as belezas da vida; Acordar a nós mesmos e também aqueles que nos cercam.
    Grande abraço.
    Sergio

    ResponderExcluir