quinta-feira, 16 de julho de 2009

Os cegos e o elefante (2)

Caríssimos irmãos:

São tantos os temas elencados num conto deste tipo, que fica difícil escolher qual o mais significativo.
Mas como o escopo da palestra foi discutir “a verdade de cada um”, apenas relacionaremos os outros:
-Existe a rivalidade prejudicando a amizade, mesmo entre sábios;
-Aliás, sábios mediante quê conceito, já que discutem muito? Dentro de uma abordagem contemporânea, no máximo os sete são inteligentes do ponto de vista racional, mas não do ponto de vista emocional;
-Há a referência em uma fala, quanto á superação á que podemos ser levados, apesar de alguma deficiência ("somos cegos para que possamos ouvir e entender melhor que as outras pessoas a verdade da vida");
-E, por fim, não poderíamos deixar de citar a passagem quase cristã de um menino trazendo, metaforicamente, a noção do todo, a integração das partes.
Passemos, então, á reflexão quanto á Verdade.
Muitos entenderão que a verdade é relativa, e que cada um pode vê-la de uma forma diferente. No caso em questão, todos os cegos teriam uma parte dela. Todos teriam, ao mesmo tempo, razão.
Mas isso é um absurdo lógico, pois não podem todos estarem certos e errados ao mesmo tempo.
Acontece que a famosa frase “a verdade é relativa”, não é correta do ponto de vista lógico: se existe uma Verdade, ela tem de ser uma só, aqui, ali, em qualquer lugar. Una e indivisível.
Portanto, do ponto de vista lógico, a Verdade é absoluta.
Simplesmente, não conseguimos abarcar o todo, e por isso, fazemos uma imagem relativa da Verdade. Então, o problema está na imagem que fazemos, e não na própria Verdade.
Parodiando, seríamos “cegos” para o conjunto, tomando as qualidades das partes como referência absoluta da Verdade.
Aí chegamos á conclusão: “minha Verdade é tão válida quanto a sua”!
Mas essa afirmação, como o demonstrado, parte de uma base ilógica.
No tocante ás religiões, por exemplo, dizer que “todas as religiões são verdadeiras”, contém a mesma inconsistência lógica.
Mas dizer que devemos respeitar todas as religiões, por que não podemos afirmar se estamos apenas “segurando o rabo”, ou “vendo o todo”, com certeza seria, no mínimo, prudente.
È evidente a necessidade de afirmação de todas as doutrinas religiosas, ao pretenderem conter “toda” a Verdade, mas acreditamos que o ser humano ainda está longe de conseguir fazer esta síntese do “Todo”, e por isso, não deveríamos agir como cegos e tolos, nos afirmando mais sábios que nossos irmãos.
Fiquem em paz, e que assim seja!

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