Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas sim o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse entrará no Reino dos Céus. Muitos me dirão, naquele dia: Senhor, Senhor, não é assim que profetizamos em teu nome, e em teu nome expelimos os demônios, e em teu nome obramos muitos prodígios? E eu então lhes direi, em voz bem inteligível: Pois eu nunca vos conheci; apartai-vos de mim, os que obrais a iniqüidade. (Mateus, VII: 21-23).Estas palavras do Cristo foram objeto de nossa palestra na última segunda-feira, no trabalho de nossa casa.
Além das implicações evidentes de crítica aos cultos exteriores, como sempre Jesus fazia, um aspecto foi salientado em nossos comentários: é o de que o Mestre deixou implícito ser possível haver “profetizações, expulsão de “demônios” e prodígios”, apesar de “obrar-se na iniqüidade”.
Traduzindo: o Mestre sempre criticou a hipocrisia dos fariseus, sua adoração exterior, sua prisão á forma, e não ao conteúdo.
Mas não afirmou que estes não poderiam fazer coisas tidas como milagrosas, apesar de sua fé baseada nas aparências e no reconhecimento do mundo.
Isto nos remete á escolha que fazemos de determinada religião, porque lá fala-se a palavra de Deus (profetização), ou expulsam-se demônios (desobsessão), ou fazem-se milagres (prodígios).
Oras, não existe religião verdadeira, mas sim verdadeira religiosidade.
E a verdadeira religiosidade, a verdadeira fé, é a do coração.
É ingênuo pensar que Jesus não estaria num recinto, apenas porque lá não se demonstra uma religiosidade verdadeira, principalmente da parte de seus dirigentes. Onde houver duas pessoas falando d’Ele, lá Ele estará, consoante a sua promessa.
E quanto ao Pai, seria pretensioso buscar entender suas razões, do nível em que nos encontramos. Mas que dá para fazer um exercício de lógica, com certeza dá.
Se nós, que somos imperfeitos, não perderíamos a oportunidade de estarmos com nossos filhos, mesmo se fossem cegos, surdos ou insensíveis á nossa palavra, o que esperar do Ser que é toda a perfeição.
O fato de um filho seu estar aprisionado por práticas religiosas exteriores ou ilógicas, faria com que este filho fosse abandonado, ou seria um motivo a mais para a visita?
Somente acontecem prodígios ou desobsessões, porque estes fenômenos não tem nada de antinatural, de milagroso. Em verdade, eles se inserem dentro do quadro das leis da natureza, como bem o demonstrou Kardec, e são, portanto, passíveis de acontecer em qualquer lugar.
Não devemos escolher esta ou aquela prática religiosa pelos espetáculos que nos proporcionam no campo da fé.
Devemos entender que toda religião deveria nos “re-ligar” ao Pai, e isto passa pela valorização de sua centelha dentro de nós.
O resto é culto exterior, para convencer a platéia.
Que Deus abençoe á todos.
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